Ricardo disse a Clara que a adorava. Que ela, por ser exatamente como era, havia lhe ganhado em pontos que nem mesmo ele sabia que poderiam existir dentro de si mesmo.
Clara contou sobre as palavras de Ricardo a amiga, Mônica, que já desconfiava da malícia que enxergara nos olhos do rapaz.
Ricardo fez com que Clara se sentisse exclusiva, única num mundo tão conturbado e tão desigual. Mas, desse modo, Ricardo fez o mesmo com Beatriz.
Para Beatriz, Ricardo fora ainda mais além. Dissera que com ela seria lindo ter uma vida e um casal de filhos que trariam feições de ambos.
Ricardo disse a Clara o mesmo que disse a Beatriz. E o mesmo que outrora havia dito a Roberta e a Maria.
Ricardo tinha um dom em seus olhos. Aquele dom pouco comum de ludibriar quem lhe fosse capaz de olhar diretamente.
Cuspia conceitos. Inflava o próprio ego julgando ser diferente da grande maioria. Alegava ser livre, mesmo parecendo ser escravo da própria liberdade.
Agia de forma a manipular tudo em prol de si mesmo. E nada mais.
Mônica contara a Clara que ouvira as mesmas juras de Ricardo por parte de Beatriz, Roberta, Maria, Cristina, Fabiana, Débora...
Ricardo era só. Por escolha, antes.
E agora por falta de opção.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
Presente do indicativo
Vou rir do teu riso. E sorrir sozinha enquanto lembrar do teu jeito de falar, enquanto me anestesiar pelo timbre da tua voz.
Vou me calar. Dessa vez vou apenas escutar.
Vou te ouvir cantar.
Vou pendurar tua foto na minha estante.
Vou lembrar da tua forma de me ganhar. Vou apenas aceitar.
Vou ser quem eu sou. Vou me permitir ser quem eu sempre quis.
E desse modo, me fazer um tanto mais feliz.
Vou esquecer os receios. Vou me deixar envolver.
Não vou fugir. Não preciso a isso te submeter.
Vou debochar das tuas falhas, vou apreciar tuas inspirações. E te dar asas.
E te prender nas minhas melhores intenções.
Vou ficar. Mas sem insistir.
Vou lembrar. Vou resistir.
Vou guardar. Pra você saber que do lado de cá da avenida tem uma garota disposta a te acompanhar.
Vou me calar. Dessa vez vou apenas escutar.
Vou te ouvir cantar.
Vou pendurar tua foto na minha estante.
Vou lembrar da tua forma de me ganhar. Vou apenas aceitar.
Vou ser quem eu sou. Vou me permitir ser quem eu sempre quis.
E desse modo, me fazer um tanto mais feliz.
Vou esquecer os receios. Vou me deixar envolver.
Não vou fugir. Não preciso a isso te submeter.
Vou debochar das tuas falhas, vou apreciar tuas inspirações. E te dar asas.
E te prender nas minhas melhores intenções.
Vou ficar. Mas sem insistir.
Vou lembrar. Vou resistir.
Vou guardar. Pra você saber que do lado de cá da avenida tem uma garota disposta a te acompanhar.
segunda-feira, 28 de novembro de 2016
Codinome Sam - Fragmentos Perdidos
Eles não vão perguntar sobre mim.
Mas se em virtude dos seus devaneios momentâneos, eu for mencionada, minta.
Diga que me mudei pro Alasca, que insultei seus pais. Ou conte verdadeiramente sobre o dia em que te estendi aquele tapa ardido e ofensivo na cara.
Minta dizendo que agora nós nos odiamos. Que todo aquele sentimento belo e amistoso se desfez.
Diga que eu não suportei sua instabilidade emocional. Diga que você não suportou minha loucura.
Diga que fui a pior maldição que te aconteceu.
Mas não conte que foi preciso.
Não diga a eles que nós dissemos aquele adeus triste e saudoso, já cheio de lágrimas.
Não conte que você não só disse me amar, como também usou o adverbio de intensidade: Muito.
Não conte que num dia contraditoriamente nublado de verão, você me enviou uma mensagem dizendo se sentir sozinho depois da decisão.
Não conte que colocou parte de si mesmo em coma. E que escondeu a nostalgia debaixo do travesseiro.
Não fale das cartas e promessas de amizade duradoura. Ou da minha foto revelada no meio das suas coisas.
Não conte que mesmo distante, ouviu músicas dos Smiths que te fizeram lembrar de mim. E que naquele show de algumas semanas atrás, insistiu em me mandar áudios com trechos dessas mesmas músicas durante toda a madrugada.
Não conte os nossos apelidos. Nem os nossos traumas. Não conte, não cante, não explique.
Minta e não conte que fizemos isso em prol de um bem maior: O nosso.
Criação em: Maio/2016
Mas se em virtude dos seus devaneios momentâneos, eu for mencionada, minta.
Diga que me mudei pro Alasca, que insultei seus pais. Ou conte verdadeiramente sobre o dia em que te estendi aquele tapa ardido e ofensivo na cara.
Minta dizendo que agora nós nos odiamos. Que todo aquele sentimento belo e amistoso se desfez.
Diga que eu não suportei sua instabilidade emocional. Diga que você não suportou minha loucura.
Diga que fui a pior maldição que te aconteceu.
Mas não conte que foi preciso.
Não diga a eles que nós dissemos aquele adeus triste e saudoso, já cheio de lágrimas.
Não conte que você não só disse me amar, como também usou o adverbio de intensidade: Muito.
Não conte que num dia contraditoriamente nublado de verão, você me enviou uma mensagem dizendo se sentir sozinho depois da decisão.
Não conte que colocou parte de si mesmo em coma. E que escondeu a nostalgia debaixo do travesseiro.
Não fale das cartas e promessas de amizade duradoura. Ou da minha foto revelada no meio das suas coisas.
Não conte que mesmo distante, ouviu músicas dos Smiths que te fizeram lembrar de mim. E que naquele show de algumas semanas atrás, insistiu em me mandar áudios com trechos dessas mesmas músicas durante toda a madrugada.
Não conte os nossos apelidos. Nem os nossos traumas. Não conte, não cante, não explique.
Minta e não conte que fizemos isso em prol de um bem maior: O nosso.
Criação em: Maio/2016
quarta-feira, 23 de novembro de 2016
Conquistas banais - Fragmentos Perdidos
Ele me importuna com perguntas óbvias. Acho que é porque ele sabe que mesmo tentando ignorá-lo, eu vou responder.
Ainda me lembro da primeira vez que pus meus olhos nele. Fazia frio naquela noite, o típico frio de um outono. A primeira coisa que notei nele foram os cabelos, semelhantes àquele estereotipo pelo qual me fascinava até então. Falava com mais dois garotos, enquanto acendia o cigarro há mais de três metros de mim, na mesma calçada cheia de adolescentes.
Me aproximei e comecei a fitá-lo. Eu sempre faço isso. Uso minha primeira arma - a cara lavada de santa - e finjo não me interessar pelo que mais me chama atenção. Fiquei lá, estática, fingindo pensar na vida, passando a mão pelos cabelos - na época ainda compridos - e apenas esperei.
Me aproximei e comecei a fitá-lo. Eu sempre faço isso. Uso minha primeira arma - a cara lavada de santa - e finjo não me interessar pelo que mais me chama atenção. Fiquei lá, estática, fingindo pensar na vida, passando a mão pelos cabelos - na época ainda compridos - e apenas esperei.
Ele me notaria e eu sabia, tanto que logo me notou, como eu bem queria.
"Garota sem vergonha, sempre consegue tudo o que quer, não é?" foi o que eu pensei, com ar sadicamente prazeroso.
Ele me pediu o isqueiro.
Foi a desculpa mais esfarrapada que já ouvi. Afinal, ele notou que me aproximei dele, como poderia não ter notado que eu o havia visto fumando antes mesmo de chegar perto de mim? Mas até entendo, deve ter sido a única coisa na qual ele pensou naquele instante.
Eu cedi o isqueiro - na época em que fumava meu ridículo L.A sabor cereja - e isso foi o suficiente pra tentar puxar um assunto qualquer. Eu apenas mencionei que ele se parecia com um dos beatles, e ele se encostou na parede usando os pés como apoio do mesmo jeito que eu fazia.
Tentou parecer entretido no assunto. Acho que a primeira lição que esses garotos aprendem é a de como se manterem atentos a uma conversa inútil com uma possível conquista.
Foi o que ele fez. Não me lembro de tê-lo visto fitando meu decote (quase inexistente, diga-se de passagem) ou paralisado pela grossura dos meus lábios, perdido no que eu poderia ou não fazer com eles.
Ele apenas conversou. Levantava a sobrancelha parecendo saber exatamente do que eu falava, mesmo quando eu citava algo que tinha certeza que ele poderia não conhecer. Usou comigo a expressão facil que mais tarde eu aprendi a distinguir como "dissimulada"
Criação em: Maio/2012
sábado, 5 de novembro de 2016
Estresse à dois
Eu já me sentia profundamente irritada. O trânsito terrível que me perseguiu, o transporte público com lotação máxima, os seus 12 intermináveis minutos de atraso.
Mesmo que eu caminhasse e conversasse com você, sabia que aquele não era um dia bom pra mim, como naquela frase em que ouvi muitas vezes, de que há dias em que ''nem deveríamos ter saído da cama". Suas brincadeiras me irritavam. Sua paciência em lidar com qualquer circunstâncias me incomodava - talvez pela minha tremenda inveja de te ver resolver problemas sem nenhum desespero emocional.
E foi ali que tudo começou. A minha sequência de queixas, de frustrações diárias, sendo cuspidas por mim ao final do que deveria ser uma linda e deliciosa tarde de sábado. Questionei tudo o que era passível de questionamento e seguimos novamente para a minha casa.
As poucas palavras durante o trajeto foram só mais uma forma de despejar mais uma porção de queixas e críticas, e finalmente chegamos.
Subi as escadas nervosa. Tirei meus sapatos, troquei a calça preta pela bermuda do pijama e deitei próxima do espaço que me sobrou, logo depois de você também se deitar.
Voltamos às nossas queixas. Eu me perdi numa frase e no auge do que deveria ser uma discussão séria, você me veio com uma piadinha cretina - mas extremamente engraçada.
Olhamos um para o outro e de repente começamos a rir feito um belo par de idiotas.
Em questão de segundos, você me tomou pelo braço e disse algo como: ''não vamos brigar, vai... vem cá que eu quero te dar um beijo". E eu beijei.
Simples assim. Como se todos os conflitos do mundo pudessem ser sanados por um lábio carnudo, um beijo molhado, por um abraço acolhedor ou uma piada propícia.
Como se todas as guerras pudessem ser cessadas com um sorriso largo e aberto.
Mesmo que eu caminhasse e conversasse com você, sabia que aquele não era um dia bom pra mim, como naquela frase em que ouvi muitas vezes, de que há dias em que ''nem deveríamos ter saído da cama". Suas brincadeiras me irritavam. Sua paciência em lidar com qualquer circunstâncias me incomodava - talvez pela minha tremenda inveja de te ver resolver problemas sem nenhum desespero emocional.
E foi ali que tudo começou. A minha sequência de queixas, de frustrações diárias, sendo cuspidas por mim ao final do que deveria ser uma linda e deliciosa tarde de sábado. Questionei tudo o que era passível de questionamento e seguimos novamente para a minha casa.
As poucas palavras durante o trajeto foram só mais uma forma de despejar mais uma porção de queixas e críticas, e finalmente chegamos.
Subi as escadas nervosa. Tirei meus sapatos, troquei a calça preta pela bermuda do pijama e deitei próxima do espaço que me sobrou, logo depois de você também se deitar.
Voltamos às nossas queixas. Eu me perdi numa frase e no auge do que deveria ser uma discussão séria, você me veio com uma piadinha cretina - mas extremamente engraçada.
Olhamos um para o outro e de repente começamos a rir feito um belo par de idiotas.
Em questão de segundos, você me tomou pelo braço e disse algo como: ''não vamos brigar, vai... vem cá que eu quero te dar um beijo". E eu beijei.
Simples assim. Como se todos os conflitos do mundo pudessem ser sanados por um lábio carnudo, um beijo molhado, por um abraço acolhedor ou uma piada propícia.
Como se todas as guerras pudessem ser cessadas com um sorriso largo e aberto.
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
Farol vermelho - Fragmentos Perdidos
Parei em frente a lanchonete onde ela trabalhara até mais tarde. O plano inicial era uma cerveja à dois, afinal, estávamos sem nos ver havia pouco mais de duas semanas - e mesmo insistindo muito a pedido dela, eu continuava detestando a comunicação virtual que nos obrigava a fingir interação diária.
Ela se atrasou, mas justificou com a gentileza de sempre, parecendo grata por eu estar ali honrando o compromisso combinado.
Abriu a porta do carro e olhou atônita para as luzes do som que trazia uma altura considerável, no qual tocava músicas ''estranhas'' das quais ela nunca gostou. Eu tive certeza de que ela reclamaria da escolha daquela trilha sonora, e antes que pudesse fazê-lo, comecei a apertar o botão de sequência para encontrar algo que ela gostasse de ouvir.
Deixei em uma das minhas preferidas. Sabia que se ela não conhecesse, ao menos passaria a apreciar após alguns segundos.
Mas, ela já havia escutado antes. E isso ficou bastante óbvio pra mim em seguida.
Paramos em um dos faróis que a avenida da lanchonete trazia e pouco antes de engatar a marcha novamente, percebi que ela escondia o rosto, virando-o para a janela, deixando que os cabelos soltos caíssem sob seus olhos e ombros. Ela deixara escorrer lágrimas tristes ao som daquela música e eu rapidamente compreendi isso muito bem. Me inclinei indicando que trocaria de canção e ela logo me advertiu para que eu não o fizesse.
Olhei-a sem conseguir responder. Não queria invadi-la perguntando a razão de tamanha tristeza.
Ela começou a enxugar as lágrimas com as costas das mãos, que agora ficavam molhadas e escuras, cheias de resíduos da sua maquiagem.
Seguiu calada e num dado momento me olhou com ternura. Em seguida sorriu, parecendo aliviada como se quisesse me agradecer por eu estar ali, mesmo sem dizer uma palavra sequer.
Se justificou me dizendo que jamais ouviria a música Simple Man de Lynyrd Skynyrd sem sentir o peso da saudade no peito.
Ainda estávamos no outono. Era 9 de junho.
domingo, 18 de setembro de 2016
É tudo sobre o seu par de pequenos e instintivos olhos castanhos
Esperança. E tudo dela dentro dos seus pequenos e instintivos olhos castanhos.
Tudo de mim. Um tanto a mais de você.
E um vazio que se preenche sozinho, com um breve sorriso seu.
Você, que se diz tão distante do que é humano, talvez porque o humano não é necessariamente bom.
Talvez porque, pra mim, você continue sendo a esperança que as vezes falta mundo afora. Porque é só em você que eu enxergo tamanha nobreza.
Porque é no seu colo que eu quero mergulhar. E me afogar.
Essa cor nada peculiar dos seus olhos me faz ter fé na vida. Me faz te encontrar sempre que começo a fitar demais o espelho.
É em você - no seu eu já tão meu - ou nesse seu par de pequenos e instintivos olhos castanhos, que eu sou minha e sua de uma só vez.
No final, é tudo sobre você. E continuará sendo.
É tudo sobre a minha intensa e exclusivamente real história de amor, esperança e fé.
Sobre todos os sentimentos mais nobres que já tive, graças ao seu par de pequenos e instintivos olhos castanhos.
Tudo de mim. Um tanto a mais de você.
E um vazio que se preenche sozinho, com um breve sorriso seu.
Você, que se diz tão distante do que é humano, talvez porque o humano não é necessariamente bom.
Talvez porque, pra mim, você continue sendo a esperança que as vezes falta mundo afora. Porque é só em você que eu enxergo tamanha nobreza.
Porque é no seu colo que eu quero mergulhar. E me afogar.
Essa cor nada peculiar dos seus olhos me faz ter fé na vida. Me faz te encontrar sempre que começo a fitar demais o espelho.
É em você - no seu eu já tão meu - ou nesse seu par de pequenos e instintivos olhos castanhos, que eu sou minha e sua de uma só vez.
No final, é tudo sobre você. E continuará sendo.
É tudo sobre a minha intensa e exclusivamente real história de amor, esperança e fé.
Sobre todos os sentimentos mais nobres que já tive, graças ao seu par de pequenos e instintivos olhos castanhos.
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