As marcas tatuadas nos teus braços dizem de você mais do que tudo o que você já disse de si mesmo.
Nasceu com o dom do riso fácil, do sorriso leve e largo. E é nesse riso que eu mergulho pra me encontrar comigo mesma, nas horas amargas do meu ceticismo e quando entendo que preciso - de novo - de algo para acreditar.
É no som da tua risada que eu acho o meu tão necessário e procurado estado de aquietação.
Nas tuas filosofias aplicadas pra vida é que me encontro pra caber um pouco mais num mundo que, ora me enaltece, ora me derruba. Nos teus caminhos eu encontro, também, a gratidão para aceitar essas quedas com humildade, com gentileza para com a minha essência e sobre quem eu sou.
Nos teus pensamentos eu me advirto de que cada ser humano é um universo. Que assim é pra mim e que em você identifico uma das galaxias mais bonitas que eu já visitei nesses longos e caros 26 anos da minha existência.
As marcas tatuadas em mim precisam de um pouco mais de você e do teu amor pela vida.
terça-feira, 2 de outubro de 2018
terça-feira, 11 de setembro de 2018
Mosby
Era como ele gostava de viver. Sempre adoecido de paixão por todo o tipo possível de garota que cruzava o seu caminho.
Vivia da intensidade tudo o que ela permitisse, até que todo o resto desmoronasse na sua própria cabeça, na utópica teimosia digna de um eterno apaixonado.
Metia os pés pelas mãos quase sempre, na incansável esperança de encontrar o que as pessoas chamam nos seriados românticos de "a tampa da panela" ou talvez "a metade da laranja" ou ainda assim "a alma gêmea", mencionada tantas vezes em belas poesias e textos como este.
Mosby como só ele, custou para se encontrar em si mesmo, embora parecesse o tipo de cara decidido, desses que sustenta uma estrutura concreta só com a força dos braços.
Lebenslanger schick schatz. Essa era exatamente a definição do que ele procurava. Tentou achar aqui, ali, acolá. Assim como Ted, que levou 8 temporadas procurando, ele buscava desesperadamente desde muito novo. Era um idealista, um romântico e um sonhador. Desses que bem provavelmente a gente só é capaz de encontrar em enredos de filmes dos anos 50.
Foram incontáveis batalhas, lutas e questionamentos diários que ele dedicou ao universo para que pudesse se compreender melhor e, para, quem sabe num futuro próspero, encontrar a conexão do que ele ainda não tinha sentido.
O momento com a garota, com o que seria para ele diferente de tudo o que vivera antes. E embora não fosse debaixo de um temporal, escondendo-se sob um guarda-chuva amarelo, seria considerado por ele um dos grandes encontros de sua vida.
Vivia da intensidade tudo o que ela permitisse, até que todo o resto desmoronasse na sua própria cabeça, na utópica teimosia digna de um eterno apaixonado.
Metia os pés pelas mãos quase sempre, na incansável esperança de encontrar o que as pessoas chamam nos seriados românticos de "a tampa da panela" ou talvez "a metade da laranja" ou ainda assim "a alma gêmea", mencionada tantas vezes em belas poesias e textos como este.
Mosby como só ele, custou para se encontrar em si mesmo, embora parecesse o tipo de cara decidido, desses que sustenta uma estrutura concreta só com a força dos braços.
Lebenslanger schick schatz. Essa era exatamente a definição do que ele procurava. Tentou achar aqui, ali, acolá. Assim como Ted, que levou 8 temporadas procurando, ele buscava desesperadamente desde muito novo. Era um idealista, um romântico e um sonhador. Desses que bem provavelmente a gente só é capaz de encontrar em enredos de filmes dos anos 50.
Foram incontáveis batalhas, lutas e questionamentos diários que ele dedicou ao universo para que pudesse se compreender melhor e, para, quem sabe num futuro próspero, encontrar a conexão do que ele ainda não tinha sentido.
O momento com a garota, com o que seria para ele diferente de tudo o que vivera antes. E embora não fosse debaixo de um temporal, escondendo-se sob um guarda-chuva amarelo, seria considerado por ele um dos grandes encontros de sua vida.
segunda-feira, 3 de setembro de 2018
terça-feira, 7 de agosto de 2018
O chão do banheiro mágico
Agachamos no chão do banheiro, que era iluminado por uma lâmpada brilhante e colorida, cheia de desenhos que circulavam pelas paredes.
Sentei ao lado de Guilherme, que estava próximo de Rafael, que sentou na frente de Bruna, que estava ao lado de Matheus.
Demos as mãos. E fascinados, fitávamos as cores refletidas no box do cômodo e em cada um dos rostos ali.
No elo - criado por eles muito antes do meu surgimento em suas vidas - só existia a verdade. A falta dela não era parte de nossa atmosfera, de nosso inocente afeto e do porto seguro que construímos juntos, para nos agarrarmos uns aos outros em todas as circunstâncias do que foi - e também de tudo que ainda seria.
Éramos nós. E éramos infinitos.
Beijávamos as mãos uns dos outros, como se o beijo fosse um brinde.
Eu encostava minha cabeça no ombro de Guilherme, que segurava firme a mão de Rafael, que tinha as mãos acalentadas por Bruna, que repousava a cabeça de Matheus em seu colo.
Me lembrava da frase na música de uma antiga banda que eu gostava, onde o intérprete questionava: Se tudo o que eu preciso se parece, por que é que não se junta tudo numa coisa só?
E então, junto das demonstrações nítidas de afeto, veio - uma vez mais - a minha forma mais pura de consciência, de compreender que naquele momento eu atraía tudo o que eu transmitia. A luz colorida do banheiro transformava seu chão em um campo mágico e nossos olhos em pedras claras de luz que refletiam como caleidoscópios.
Desse modo, eu sabia que poderia não ser de fato infinita, mas já estava eternizada na memória ali.
Sentei ao lado de Guilherme, que estava próximo de Rafael, que sentou na frente de Bruna, que estava ao lado de Matheus.
Demos as mãos. E fascinados, fitávamos as cores refletidas no box do cômodo e em cada um dos rostos ali.
No elo - criado por eles muito antes do meu surgimento em suas vidas - só existia a verdade. A falta dela não era parte de nossa atmosfera, de nosso inocente afeto e do porto seguro que construímos juntos, para nos agarrarmos uns aos outros em todas as circunstâncias do que foi - e também de tudo que ainda seria.
Éramos nós. E éramos infinitos.
Beijávamos as mãos uns dos outros, como se o beijo fosse um brinde.
Eu encostava minha cabeça no ombro de Guilherme, que segurava firme a mão de Rafael, que tinha as mãos acalentadas por Bruna, que repousava a cabeça de Matheus em seu colo.
Me lembrava da frase na música de uma antiga banda que eu gostava, onde o intérprete questionava: Se tudo o que eu preciso se parece, por que é que não se junta tudo numa coisa só?
E então, junto das demonstrações nítidas de afeto, veio - uma vez mais - a minha forma mais pura de consciência, de compreender que naquele momento eu atraía tudo o que eu transmitia. A luz colorida do banheiro transformava seu chão em um campo mágico e nossos olhos em pedras claras de luz que refletiam como caleidoscópios.
Desse modo, eu sabia que poderia não ser de fato infinita, mas já estava eternizada na memória ali.
quinta-feira, 5 de julho de 2018
Carta ao grande mestre jedi
Caro mestre,
Eu tive medo. Continuo com um pouco desse sentimento atrelado a todos os meus passos, como você bem deve saber.
Tenho medo do futuro, do que vislumbro. E tenho, também, medo do meu passado e da força que já dei a ele.
Tenho medo da energia obscura dos meus pensamentos. E como, num piscar de olhos, eu poderia ser conduzida ao lado negro da força.
Percebo em mim o medo em falhar, em fracassar nessa árdua tarefa que é cuidar de mim. Percebo o receio em me perder. E percebo a sua paciência em me guiar. Percebo cada detalhe das suas batalhas internas, especialmente as que dizem respeito a mim, como sua pupila.
Hoje sou bem mais do que fui outrora, mas ainda não sou o que deveria. Nós dois sabemos disso. E a verdade é que você está sempre encontrando maneiras únicas de me fazer enxergar, bem como eu sempre soube que faria.
Caro mestre jedi, eu tenho muito a agradecer. E a oferecer.
Tenho a força em mim para descobrir. E peço que continue segurando a minha mão nas grandes adversidades que sei que ainda terei nesse caminho.
O meu "vicio e o verso" - Fragmentos Perdidos
Você é aquela fresta de luz que entra pela minha janela logo no sábado de manhã.
É o cheiro de chuva no fim de tarde.
Você é a minha vontade em ser quem eu sou. E um pouco mais.
Você é o muito que o meu pouco traz. É calmaria na tempestade. Resiliência no desespero.
Você é aquele cheiro de café que eu tanto gosto. É o meu quadro na parede. É a minha cor de batom preferida.
Você é ordem no caos. É o vicio e o verso.
É o tempero da carne. O doce do açucarado. O tinto do vinho. E você me embriaga.
Você é o verso bonito que eu esqueci de publicar. O verde de todos os faróis de São Paulo.
Você é começo. Meio. E nunca o fim.
Você nunca sai de mim.
Você é a certeza que mais me assusta. A coisa mais impropriamente pura que eu criei.
Criação em Outubro: 2017
É o cheiro de chuva no fim de tarde.
Você é a minha vontade em ser quem eu sou. E um pouco mais.
Você é o muito que o meu pouco traz. É calmaria na tempestade. Resiliência no desespero.
Você é aquele cheiro de café que eu tanto gosto. É o meu quadro na parede. É a minha cor de batom preferida.
Você é ordem no caos. É o vicio e o verso.
É o tempero da carne. O doce do açucarado. O tinto do vinho. E você me embriaga.
Você é o verso bonito que eu esqueci de publicar. O verde de todos os faróis de São Paulo.
Você é começo. Meio. E nunca o fim.
Você nunca sai de mim.
Você é a certeza que mais me assusta. A coisa mais impropriamente pura que eu criei.
Criação em Outubro: 2017
sexta-feira, 8 de junho de 2018
Panelas
Minha mãe sempre foi rígida com suas próprias panelas de inox. Para todo adulto que se preze, uma panela de antiaderência é motivo de alívio e orgulho.
No caso dela, o grau de importância era ainda maior que para as demais pessoas, afinal, minha mãe é do tipo que se gaba a cada delicioso prato preparado. Ela coloca toda a sua alma no preparo do mais simples arroz com feijão.
Indo até o novo endereço do meu irmão, me deparei com a irremediável nostalgia de sua bagunça organizada. Nela eu identificava um pouco das coisas com as quais convivi até que fossemos separados pela rotina e pelas circunstâncias. Eis que na cozinha, junto ao móvel e nosso antigo microondas, noto três das seis panelas antiaderentes que minha mãe tanto amava.
De início penso ser um engano, um possível esquecimento da parte da minha tão amada cozinheira. E então me lembro de que abrir mão de metade do seu conjunto de panelas preferido para ajudar o filho era uma atitude bastante óbvia vinda dela.
Ela resolvera, de forma simples e tranquila, doar parte desse seu tesouro. Era uma forma de assegurar um certo conforto, afinal, qualquer alimento preparado naquelas panelas pouparia o trabalho na hora de lavar a louça.
Era, também, uma maneira de se certificar de que seu filho se alimentaria direito. Afinal, ele tinha agora panelas para facilitar isso.
Aquele era - dentre tantos outros jeitos que conheci - um modo de dona mari angela cuidar de seu caçula, como quem diz "me preocupo e estou com você".
Aquele era mais um modo de dizer eu te amo.
No caso dela, o grau de importância era ainda maior que para as demais pessoas, afinal, minha mãe é do tipo que se gaba a cada delicioso prato preparado. Ela coloca toda a sua alma no preparo do mais simples arroz com feijão.
Indo até o novo endereço do meu irmão, me deparei com a irremediável nostalgia de sua bagunça organizada. Nela eu identificava um pouco das coisas com as quais convivi até que fossemos separados pela rotina e pelas circunstâncias. Eis que na cozinha, junto ao móvel e nosso antigo microondas, noto três das seis panelas antiaderentes que minha mãe tanto amava.
De início penso ser um engano, um possível esquecimento da parte da minha tão amada cozinheira. E então me lembro de que abrir mão de metade do seu conjunto de panelas preferido para ajudar o filho era uma atitude bastante óbvia vinda dela.
Ela resolvera, de forma simples e tranquila, doar parte desse seu tesouro. Era uma forma de assegurar um certo conforto, afinal, qualquer alimento preparado naquelas panelas pouparia o trabalho na hora de lavar a louça.
Era, também, uma maneira de se certificar de que seu filho se alimentaria direito. Afinal, ele tinha agora panelas para facilitar isso.
Aquele era - dentre tantos outros jeitos que conheci - um modo de dona mari angela cuidar de seu caçula, como quem diz "me preocupo e estou com você".
Aquele era mais um modo de dizer eu te amo.
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