Eu sabia que aquele momento chegaria, e ao mesmo tempo em que tentava evitá-lo, havia em mim a certeza de que existia algo que eu devia provar ao meu ego.
Cheguei ao local marcado com dez minutos de antecedência.
A espera por meu amigo se tornou altamente torturante. Pensava em milhões de desculpas para não estar ali, visava o momento exato onde seria obrigada a me deparar com o tamanho esforço de olhar nos olhos de quem me quis tão mal um dia, mesmo que esse alguém não fosse de fato ele.
Estar ali, esperando por meu amigo, Pedro, era como visar o futuro buscando pelo passado, pois eu ainda me recordava da fase em que esperava no mesmo local por outra pessoa. Me sentia regredir.
Enfim nos encontramos e seguimos ao encontro dos demais garotos da banda.
Pedro me apresentou seu mais novo parceiro musical. Um rapaz distinto, com cabelos encaracolados e um tanto despenteados; vestia um terno azul marinho por cima da camiseta com emblema de uma banda, The Who. Usava calças escuras e allstar vermelho.
Havia um ar misterioso no garoto, que me fez pensar que talvez ele não gostasse da minha presença.
Ao longo da tarde os demais integrantes da banda chegavam.
Como fã fervorosa que sou, assisti ao ensaio como quem avalia aos próprios ídolos. Ao som da batida da primeira música, senti meu peito pulsar e notei que minhas expectativas finalmente haviam sido superadas. Fitava Pedro constantemente, e este, não se cansara de cantar nem por um segundo.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
sábado, 6 de agosto de 2011
Reconciliação
Não era nem um pouco aceitável para mim que desistíssemos de tudo ali, visto que não tínhamos vivido nem metade do que eu havia planejado para nós.
E foi quando, por mais de uma vez, meu telefone tocou. Era ele, insistindo para que nos víssemos.
Ali estava eu, paciente e sã, transparecendo uma imagem muito firme e decidida, quando na verdade gritava ao meu subconsciente por outra chance.
- Não tenho certeza sobre arriscar outra vez – Eu disse, com medo que ele concordasse comigo ao invés de simplesmente ignorar nossa última briga.
- Por que? – Perguntou ele, confuso sobre o que deveria dizer.
- Você sabe...Temo que possamos nos decepcionar um com o outro – Eu respondi, sem coragem de olhar nos olhos dele.
- É um medo que eu também tenho, mas gosto de você. Gosto de estar ao seu lado – Disse ele, buscando meu contato visual.
- Você me fez crer que tudo o que houve antes não passou de uma precipitação da sua parte, que de fato não sente o mesmo que sinto por você – Eu retruquei, tentando achar um argumento convincente para mim mesma – Me lembro das inúmeras vezes em que você me ‘provou’ o quão gostava de mim e, ouvir algo diferente após isso me assusta.
- Não era à toa. Eu nunca menti sobre o que estava sentindo; eram momentos em que a intensidade era maior e eu dizia para que você soubesse – Ele justificou, passando a mão direita pelas pontas do meu cabelo.
- Eu sei, mas fiquei confusa sobre o que realmente esperar de você – Eu disse, tentando levemente me esquivar enquanto ele se virara para segurar meu rosto, me forçando a fitá-lo.
- Então por que seus olhos estão brilhando? – Perguntou ele, sorrindo ingenuamente.
- Não estão, não – Retruquei, desviando o olhar para que meu olhar não entregasse ainda mais meu sentimento ao vê-lo ali.
Senti cada centímetro do meu corpo me impulsionar a ele, como se fossemos imã um do outro.
Aquele beijo foi como o primeiro, de muitos que demos há meses atrás.
E foi quando, por mais de uma vez, meu telefone tocou. Era ele, insistindo para que nos víssemos.
Ali estava eu, paciente e sã, transparecendo uma imagem muito firme e decidida, quando na verdade gritava ao meu subconsciente por outra chance.
- Não tenho certeza sobre arriscar outra vez – Eu disse, com medo que ele concordasse comigo ao invés de simplesmente ignorar nossa última briga.
- Por que? – Perguntou ele, confuso sobre o que deveria dizer.
- Você sabe...Temo que possamos nos decepcionar um com o outro – Eu respondi, sem coragem de olhar nos olhos dele.
- É um medo que eu também tenho, mas gosto de você. Gosto de estar ao seu lado – Disse ele, buscando meu contato visual.
- Você me fez crer que tudo o que houve antes não passou de uma precipitação da sua parte, que de fato não sente o mesmo que sinto por você – Eu retruquei, tentando achar um argumento convincente para mim mesma – Me lembro das inúmeras vezes em que você me ‘provou’ o quão gostava de mim e, ouvir algo diferente após isso me assusta.
- Não era à toa. Eu nunca menti sobre o que estava sentindo; eram momentos em que a intensidade era maior e eu dizia para que você soubesse – Ele justificou, passando a mão direita pelas pontas do meu cabelo.
- Eu sei, mas fiquei confusa sobre o que realmente esperar de você – Eu disse, tentando levemente me esquivar enquanto ele se virara para segurar meu rosto, me forçando a fitá-lo.
- Então por que seus olhos estão brilhando? – Perguntou ele, sorrindo ingenuamente.
- Não estão, não – Retruquei, desviando o olhar para que meu olhar não entregasse ainda mais meu sentimento ao vê-lo ali.
Senti cada centímetro do meu corpo me impulsionar a ele, como se fossemos imã um do outro.
Aquele beijo foi como o primeiro, de muitos que demos há meses atrás.
Impasse
Eu via e insistia, mas cada parte de mim se esforçava a me dizer que havíamos de fato chegado ao ponto crítico. Agora, já não era apenas a falta de tempo que nos impedia, era justamente o oposto a isso; o ócio em notar que já não lidávamos tão bem com a presença um do outro.
Eu, que já havia sido tão mais expressiva e criativa, já não conseguia pensar em algo que pudesse me inspirar. Ele, que sempre tão preocupado, me deixara notar inconscientemente que sua paciência chegara ao limite.
Não era preciso que terceiros me informassem sobre o que estava ocorrendo, afinal, eu mesma sabia explicar.
Nosso tempo juntos se tornou farto, exaustivo. E mesmo quando eu relutava para manter o encanto por ele, sabia que nada mais restaria se ele mesmo não soubesse me ajudar a fazê-lo.
E como proceder? Como dizer a ele que seu péssimo humor passara a afetar minha concepção em relação ao nosso próprio futuro? Como seria eu capaz de fazê-lo enxergar o óbvio que existia além dele, e de nós?
Como eu poderia ser tão egoísta em me sentir amarga por um sentimento no qual depositei tanta esperança?
Não havia o que pudesse ser feito, fora talvez o fato de apenas esperar e hesitar novamente, até que ele mesmo se desse conta de que meus olhos não brilhariam mais com a mesma intensidade do momento em que iniciamos.
E foi nesse primeiro impasse, que tomei a coragem pra desistir de nós dois...
Eu, que já havia sido tão mais expressiva e criativa, já não conseguia pensar em algo que pudesse me inspirar. Ele, que sempre tão preocupado, me deixara notar inconscientemente que sua paciência chegara ao limite.
Não era preciso que terceiros me informassem sobre o que estava ocorrendo, afinal, eu mesma sabia explicar.
Nosso tempo juntos se tornou farto, exaustivo. E mesmo quando eu relutava para manter o encanto por ele, sabia que nada mais restaria se ele mesmo não soubesse me ajudar a fazê-lo.
E como proceder? Como dizer a ele que seu péssimo humor passara a afetar minha concepção em relação ao nosso próprio futuro? Como seria eu capaz de fazê-lo enxergar o óbvio que existia além dele, e de nós?
Como eu poderia ser tão egoísta em me sentir amarga por um sentimento no qual depositei tanta esperança?
Não havia o que pudesse ser feito, fora talvez o fato de apenas esperar e hesitar novamente, até que ele mesmo se desse conta de que meus olhos não brilhariam mais com a mesma intensidade do momento em que iniciamos.
E foi nesse primeiro impasse, que tomei a coragem pra desistir de nós dois...
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Parte de uma história real
Sentaram-se ao lado um do outro, na escura sala de cinema.
Falavam banalidades, que logo foram ofuscadas pelo olhar confuso que ambos transmitiam.
- Eu vi. Vi nas cartas. Você tem em si um talento que vai impulsioná-lo, e você vai conseguir - Disse ela, calmamente.
- Por favor, não fale disso. Eu não tenho nada, não sou nada - Disse ele, virando o rosto para baixo, como quem se sente vergonhado.
- Hey, não! Me escuta, você tem um destino maravilhoso pela frente. Eu acredito nisso! Eu acredito em você! - Disse ela, alterando a voz em tom alto; colocando as mãos sobre o rosto dele, que deixara escorrer uma lágrima.
- Não sei se posso. Não sei se consigo - Respondeu ele, com os olhos claros molhados.
- Você pode e vai! Confio nisso! Não se esqueça que estou aqui agora, e estarei na primeira fileira dos seus espetáculos - Disse ela com total convicção.
Eu me lembro exatamente do que você disse, como disse, e a sua respiração ao dizer.
Você vai chegar lá. Nós vamos chegar lá!
Falavam banalidades, que logo foram ofuscadas pelo olhar confuso que ambos transmitiam.
- Eu vi. Vi nas cartas. Você tem em si um talento que vai impulsioná-lo, e você vai conseguir - Disse ela, calmamente.
- Por favor, não fale disso. Eu não tenho nada, não sou nada - Disse ele, virando o rosto para baixo, como quem se sente vergonhado.
- Hey, não! Me escuta, você tem um destino maravilhoso pela frente. Eu acredito nisso! Eu acredito em você! - Disse ela, alterando a voz em tom alto; colocando as mãos sobre o rosto dele, que deixara escorrer uma lágrima.
- Não sei se posso. Não sei se consigo - Respondeu ele, com os olhos claros molhados.
- Você pode e vai! Confio nisso! Não se esqueça que estou aqui agora, e estarei na primeira fileira dos seus espetáculos - Disse ela com total convicção.
Eu me lembro exatamente do que você disse, como disse, e a sua respiração ao dizer.
Você vai chegar lá. Nós vamos chegar lá!
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Um lugar nosso...
Seguimos pela longa estrada, que refletia em seu horizonte o sol poente.
Mesmo com a responsabilidade em manter firme a direção do volante, ele em poucos momentos deixara de me dar a mão.
Ao chegarmos, nos deparamos com um céu azul-marinho repleto de estrelas, que nos pareciam estar mais próximas do que nunca. O centro da cidade por onde passamos era animado, enfeitado por intermináveis lojas e o cheiro de maresia, sentido há quilômetros de distância.
Ele passara pelas ruas me mostrando cada detalhe que lhe parecesse familiar. Apontava determinados lugares e eu me mantinha apenas sorridente, como era de se esperar, visto que estava em um lugar ao qual jamais havia visitado.
Rodamos por pequenas estradas próximas a praia e finalmente paramos em nosso destino. Uma casa bela e acolhedora, com pessoas que nos receberam empolgadas.
Passamos vagos minutos em conversas tranqüilas, e a noite se estendeu até que estivéssemos sozinhos na rede, cuja qual nos serviu para que pudéssemos nos sentir mais próximos fisicamente, e assim expressar todo e qualquer carinho.
O cansaço era tanto que mal conseguimos manter os olhos abertos para assistir a um filme. Despertado de seu cochilo, ele me chamou calmamente com simples sussurros para que fossemos nos deitar em nosso quarto.
Passamos um longo tempo deitados na mesma cama. Ele se virara em direção às minhas costas, me abrando firme em uma espécie de concha. Assim permanecemos, até que eu decidisse ir para minha cama, que ficava ao lado, para que não fosse desrespeitoso com seus pais, que tanto nos pareciam prezar.
A satisfação por acordar sabendo que o tinha ao meu lado era tamanha que mal tive tempo para pensar se estava realmente acordada, ou ainda sonhando.
Me dirigi até ele, que logo me deu espaço para que eu me deitasse ao seu lado. E nesse momento, foi a minha vez de abraçar suas costas firmemente e lhe transmitir a mesma segurança que ele me passara na noite anterior.
Logo após levantarmos e tomarmos nosso café-da-manhã decidimos ir até a praia.
O sol escaldante nos sufocava em meio ao enorme calor que se formava na região. Ele caminhava junto a mim sob a água clara e morna do mar, segurando-me pela mão direita.
Passamos parte de nossa manhã subindo por imensas pedras que encontramos na divisa de uma praia para a outra. Ele seguia na frente, mas sempre com muito cuidado, me dando assistência para que eu não me desequilibrasse ou escorregasse e caísse.
Em alguns momentos, deixávamos de simplesmente escalar as enormes pedras da praia para apreciar a paisagem linda que se fazia por ali. Uma paisagem a qual eu jamais havia visto igual.
Após tomarmos um refrescante banho de mar, voltamos a caminhar em direção à casa onde os pais dele nos aguardavam para fazer a próxima refeição. Entramos na piscina, e logo notamos a tarde chegar, deixando a água ligeiramente gelada. Dividíamos o mesmo colchão flutuante, e eu sorria incansavelmente, ao mesmo tempo em que o notava e fitava o quão lindo ficara seu semblante enquanto mantinha os cabelos escuros molhados.
O achara bonito em todos os sentidos, e até mesmo quando ele insistia em não aparecer em fotos por conta de uma baixa auto-estima.
Não poderíamos permanecer mais que alguns minutos, e logo arrumamos nossas malas para seguirmos novamente rumo à cidade grande.
Músicas antigas e melodias marcantes que nos acompanhavam em meio a estrada.
Eu mantinha minhas mãos firmes na nuca dele, e conversávamos calmamente durante o percurso. Ele dançava sentado ao banco do carro enquanto dirigia, em sua maneira divertida e engraçada de se mover, e fazia-o propositalmente apenas para me fazer gargalhar.
Mesmo com a responsabilidade em manter firme a direção do volante, ele em poucos momentos deixara de me dar a mão.
Ao chegarmos, nos deparamos com um céu azul-marinho repleto de estrelas, que nos pareciam estar mais próximas do que nunca. O centro da cidade por onde passamos era animado, enfeitado por intermináveis lojas e o cheiro de maresia, sentido há quilômetros de distância.
Ele passara pelas ruas me mostrando cada detalhe que lhe parecesse familiar. Apontava determinados lugares e eu me mantinha apenas sorridente, como era de se esperar, visto que estava em um lugar ao qual jamais havia visitado.
Rodamos por pequenas estradas próximas a praia e finalmente paramos em nosso destino. Uma casa bela e acolhedora, com pessoas que nos receberam empolgadas.
Passamos vagos minutos em conversas tranqüilas, e a noite se estendeu até que estivéssemos sozinhos na rede, cuja qual nos serviu para que pudéssemos nos sentir mais próximos fisicamente, e assim expressar todo e qualquer carinho.
O cansaço era tanto que mal conseguimos manter os olhos abertos para assistir a um filme. Despertado de seu cochilo, ele me chamou calmamente com simples sussurros para que fossemos nos deitar em nosso quarto.
Passamos um longo tempo deitados na mesma cama. Ele se virara em direção às minhas costas, me abrando firme em uma espécie de concha. Assim permanecemos, até que eu decidisse ir para minha cama, que ficava ao lado, para que não fosse desrespeitoso com seus pais, que tanto nos pareciam prezar.
A satisfação por acordar sabendo que o tinha ao meu lado era tamanha que mal tive tempo para pensar se estava realmente acordada, ou ainda sonhando.
Me dirigi até ele, que logo me deu espaço para que eu me deitasse ao seu lado. E nesse momento, foi a minha vez de abraçar suas costas firmemente e lhe transmitir a mesma segurança que ele me passara na noite anterior.
Logo após levantarmos e tomarmos nosso café-da-manhã decidimos ir até a praia.
O sol escaldante nos sufocava em meio ao enorme calor que se formava na região. Ele caminhava junto a mim sob a água clara e morna do mar, segurando-me pela mão direita.
Passamos parte de nossa manhã subindo por imensas pedras que encontramos na divisa de uma praia para a outra. Ele seguia na frente, mas sempre com muito cuidado, me dando assistência para que eu não me desequilibrasse ou escorregasse e caísse.
Em alguns momentos, deixávamos de simplesmente escalar as enormes pedras da praia para apreciar a paisagem linda que se fazia por ali. Uma paisagem a qual eu jamais havia visto igual.
Após tomarmos um refrescante banho de mar, voltamos a caminhar em direção à casa onde os pais dele nos aguardavam para fazer a próxima refeição. Entramos na piscina, e logo notamos a tarde chegar, deixando a água ligeiramente gelada. Dividíamos o mesmo colchão flutuante, e eu sorria incansavelmente, ao mesmo tempo em que o notava e fitava o quão lindo ficara seu semblante enquanto mantinha os cabelos escuros molhados.
O achara bonito em todos os sentidos, e até mesmo quando ele insistia em não aparecer em fotos por conta de uma baixa auto-estima.
Não poderíamos permanecer mais que alguns minutos, e logo arrumamos nossas malas para seguirmos novamente rumo à cidade grande.
Músicas antigas e melodias marcantes que nos acompanhavam em meio a estrada.
Eu mantinha minhas mãos firmes na nuca dele, e conversávamos calmamente durante o percurso. Ele dançava sentado ao banco do carro enquanto dirigia, em sua maneira divertida e engraçada de se mover, e fazia-o propositalmente apenas para me fazer gargalhar.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Sem hipocrisia
Queria poder lamentar, ou simplesmente dizer que não os vejo de forma tão ridiculamente infantil. Mas, infelizmente isso já não me cabe.
Essa tal hipocrisia me causa ânsia, e uma ligeira agonia.
E qual é a razão específica pra que isso se ocasione? É simples e trivial...eu não posso controlar o que sinto, e especialmente o que penso em relação aos outros e a mim mesma.
Cometi erros, e em sua grande maioria se trataram de erros incorrigíveis e inaceitáveis. Seria argumentar banalmente que os fiz apenas por agir como ‘um ser humano que erra’. A verdade é que eu tinha escolhas, e em um determinado momento agi impulsivamente, respeitando somente aos meus desejos e ignorando qualquer sentimento que eu fizesse surgir em todas as pessoas das quais me aproximei.
Outra banalidade seria me desculpar, visto que por mais de uma vez o fiz e não tive qualquer resultado positivo quanto a isso. Em alguns momentos recebi indiferença, e em outros, um falso ‘perdão’ que em seguida foi criticado pelos mesmos que diziam se importar com o que quer que eu pensasse.
Então, considerem que nesse exato momento tive meu breve surto de realidade e estou aqui apenas para dar meus parabéns e bater palmas à toda essa falta de ética que insiste em me perseguir.
Palmas à você que arrumou argumentos pouco convincentes pra me criticar, só porque também não conseguiu viver sua historinha frenética de amor comigo, e por isso passa parte de seu tempo livre me definindo com inúmeros adjetivos pejorativos.
E, é claro, palmas a mim mesma por saber me desvencilhar de uma atitude desse gênero e tomar por certa a escolha que fiz quando aceitei amar quem atualmente eu amo, pois há uma divergência gritante de amar um homem ao invés de um simples ‘garoto’.
Essa tal hipocrisia me causa ânsia, e uma ligeira agonia.
E qual é a razão específica pra que isso se ocasione? É simples e trivial...eu não posso controlar o que sinto, e especialmente o que penso em relação aos outros e a mim mesma.
Cometi erros, e em sua grande maioria se trataram de erros incorrigíveis e inaceitáveis. Seria argumentar banalmente que os fiz apenas por agir como ‘um ser humano que erra’. A verdade é que eu tinha escolhas, e em um determinado momento agi impulsivamente, respeitando somente aos meus desejos e ignorando qualquer sentimento que eu fizesse surgir em todas as pessoas das quais me aproximei.
Outra banalidade seria me desculpar, visto que por mais de uma vez o fiz e não tive qualquer resultado positivo quanto a isso. Em alguns momentos recebi indiferença, e em outros, um falso ‘perdão’ que em seguida foi criticado pelos mesmos que diziam se importar com o que quer que eu pensasse.
Então, considerem que nesse exato momento tive meu breve surto de realidade e estou aqui apenas para dar meus parabéns e bater palmas à toda essa falta de ética que insiste em me perseguir.
Palmas à você que arrumou argumentos pouco convincentes pra me criticar, só porque também não conseguiu viver sua historinha frenética de amor comigo, e por isso passa parte de seu tempo livre me definindo com inúmeros adjetivos pejorativos.
E, é claro, palmas a mim mesma por saber me desvencilhar de uma atitude desse gênero e tomar por certa a escolha que fiz quando aceitei amar quem atualmente eu amo, pois há uma divergência gritante de amar um homem ao invés de um simples ‘garoto’.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Questão
Seguiu-se o peso de um breve silêncio, antes que ela tomasse coragem suficiente para perguntar-lhe o que tanto ansiou por ouvir.
Ali, os corpos semi-nús, molhados com o ardor da chuva, agora se recostavam um sob o outro. Ela o fitava, calada, enquanto ele tentava lhe arrancar pouco que fosse do seu mistério repentino, com brincadeiras e piadas que não lhe faziam sentido algum. Até notar que a fisionomia dela agora mudara.
- Tenho que lhe fazer uma pergunta.
- Faça.
- Não sei se é conveniente.
- Algum problema?
- Problema nenhum.
- Então me diga o que te aflige.
- É uma pergunta banal. Sei que vou me arrepender de perguntar.
- Então diga logo, não verei mal em responder.
- O que você sente por mim?
- O que eu sinto? Sinto que gosto de você. É, realmente, gosto. Acho que é gostar. Sim, deve ser isso.
- Gosta?
- Gosto, gosto sim. E você? O que sente?
- Sinto que também gosto de você.
- Será que é somente isso, mesmo? Acredito que é algo mais. Estou certo?
- Não, não está. Te disse que atualmente me controlo o suficiente pra não me ‘apaixonar’ com tanta facilidade, e isso é fato.
- Entendo. Só não se esqueça que sentimentos assim nós não somos capazes de controlar.
- Eu sei, mas consigo. Sou teimosa.
- É sim, muito teimosa.
Ali, os corpos semi-nús, molhados com o ardor da chuva, agora se recostavam um sob o outro. Ela o fitava, calada, enquanto ele tentava lhe arrancar pouco que fosse do seu mistério repentino, com brincadeiras e piadas que não lhe faziam sentido algum. Até notar que a fisionomia dela agora mudara.
- Tenho que lhe fazer uma pergunta.
- Faça.
- Não sei se é conveniente.
- Algum problema?
- Problema nenhum.
- Então me diga o que te aflige.
- É uma pergunta banal. Sei que vou me arrepender de perguntar.
- Então diga logo, não verei mal em responder.
- O que você sente por mim?
- O que eu sinto? Sinto que gosto de você. É, realmente, gosto. Acho que é gostar. Sim, deve ser isso.
- Gosta?
- Gosto, gosto sim. E você? O que sente?
- Sinto que também gosto de você.
- Será que é somente isso, mesmo? Acredito que é algo mais. Estou certo?
- Não, não está. Te disse que atualmente me controlo o suficiente pra não me ‘apaixonar’ com tanta facilidade, e isso é fato.
- Entendo. Só não se esqueça que sentimentos assim nós não somos capazes de controlar.
- Eu sei, mas consigo. Sou teimosa.
- É sim, muito teimosa.
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