E te dizer isso hoje é só uma forma de mostrar que eu já não espero por isso.
Você nunca me pediu perdão. Por nenhuma das vezes em que ignorou minhas ligações por pura pirraça, por nenhuma das vezes em que me julgou como uma pessoa sem freio e completamente desequilibrada.
Você nunca me pediu perdão por toda a exposição a qual fui submetida pelo simples fato de bancar a minha decisão de estar perto de você. Por todas as vezes em que eu senti falta de ar depois de chorar compulsivamente. Por todas as vezes em que você me tratou com ódio ou demonstrou profundo desprezo por tudo o que eu sentia.
Por todas as vezes em que eu quis não existir, você nunca me pediu perdão.
Você nunca me pediu perdão por todas as vezes em que apontou o dedo para as minhas falhas e os meus erros. E você nunca se desculpou pelas injúrias, pelas palavras tortas, pelos transtornos que me fizeram pensar em desistir até do meu emprego.
Você nunca me pediu perdão por me manter deliberadamente na sua mão, por todas as vezes em que eu quis ir e você não deixou. Por todas as vezes em que você usou o amor como argumento pra que eu não me afastasse de vez.
Você nunca me pediu perdão. E eu esperei que esse perdão fosse suplicado em algum momento.
Mas hoje, com o coração leve, eu te digo que não mencionei muitas coisas pelas quais você deveria ser perdoado, talvez porque eu tenha simplesmente esquecido e apagado. Talvez porque esse seja o indício de que eu não vou mais falar de você. Que esse é o meu último texto sobre qualquer coisa que ficou. Que talvez, agora, eu esteja finalmente compreendendo que eu já te perdoei e posso seguir o meu caminho.
Mesmo sabendo que você nunca me pediu perdão.
quarta-feira, 23 de maio de 2018
terça-feira, 22 de maio de 2018
Esse é um texto feliz sobre uma pessoa triste
Hoje te vi na rua.
Depois de longas semanas sem sequer cruzar o seu caminho. Eu me virei na sua direção para te dizer oi. Você acenou com a cabeça, se mantendo sério, como se fosse esforço demais ser agradável logo pela manhã.
E percebi, naquele momento, que eu já não sentia meu coração palpitando, eu já não sentia náuseas, eu já não sentia euforia. Eu já não sentia nada.
Eu te olhei e para minha surpresa, você não tinha nada de especial. Não brilhava e já não era mais atraente. Você era parte da paisagem. Era igual a todos os outros que atravessariam a avenida. E era triste.
A sua feição - parcialmente escondida atrás do óculos de sol - demonstrava a insatisfação em estar ali. Talvez em me ver, talvez em acordar cedo, talvez em ter a vida que tem. E eu percebi isso com clareza, sem me martirizar. Eu conclui isso com a plenitude de não ser impactada por nenhuma das suas reações - ou a falta delas.
Hoje te vi na rua e você era triste.
Mas esse texto eu escrevo feliz. Porque sou esse mesmo oposto agora.
Porque estou em paz comigo mesma - e também com você. Que agora virou uma pessoa igual a todas as outras.
Depois de longas semanas sem sequer cruzar o seu caminho. Eu me virei na sua direção para te dizer oi. Você acenou com a cabeça, se mantendo sério, como se fosse esforço demais ser agradável logo pela manhã.
E percebi, naquele momento, que eu já não sentia meu coração palpitando, eu já não sentia náuseas, eu já não sentia euforia. Eu já não sentia nada.
Eu te olhei e para minha surpresa, você não tinha nada de especial. Não brilhava e já não era mais atraente. Você era parte da paisagem. Era igual a todos os outros que atravessariam a avenida. E era triste.
A sua feição - parcialmente escondida atrás do óculos de sol - demonstrava a insatisfação em estar ali. Talvez em me ver, talvez em acordar cedo, talvez em ter a vida que tem. E eu percebi isso com clareza, sem me martirizar. Eu conclui isso com a plenitude de não ser impactada por nenhuma das suas reações - ou a falta delas.
Hoje te vi na rua e você era triste.
Mas esse texto eu escrevo feliz. Porque sou esse mesmo oposto agora.
Porque estou em paz comigo mesma - e também com você. Que agora virou uma pessoa igual a todas as outras.
segunda-feira, 21 de maio de 2018
Cante por nós
Eu era a pessoa que batia no peito pra dizer: prefiro um bom filme na cama à qualquer balada por aí. Eu dizia isso com aquele ar ligeiramente arrogante de quem se considerava intelectual demais para sucumbir às mesmices de uma maioria.
Mas, eu me esqueci de que para ter propriedade no que eu dizia, eu precisava viver aquilo de algum modo, e de preferência, de coração aberto.
Nas vezes em que eu olhei com desdém pra quem adorava as tais baladas, festas e festivais, eu me esqueci de considerar que cada pessoa é, em sua plenitude, um universo inteiro e completo. Me esqueci de analisar que se o que eu desejei por um curto espaço de tempo tivesse se concretizado, eu estaria agora vivendo os meus finais de semana numa sala de estar à base de ideias de produtores e diretores que conseguiram conclui-las para entreter a pessoa que eu teria me tornado. Eu estaria na minha antiga e patética corrida contra o tempo para atualizar o meu perfil do filmow.
Se o meu julgamento coubesse perfeitamente no meu antigo discurso blazê, eu não teria sentido o meu coração explodir dentro do meu peito ao som do espetáculo que vi de perto. Eu não teria recebido o olhar e o beijo à distância de um ícone da música atual. Eu não teria me emocionado da forma como me emocionei.
Se eu não tivesse me permitido vivenciar essa experiência, eu não teria visto todas as cores e luzes que vi envolta de mim ao lado de pessoas que me abraçaram, me ergueram, me acolheram, beijaram e seguraram a minha mão em grande parte do tempo em que estive ali.
Eu continuo louca por todos os meus filmes preferidos. Mas não quero mais somente viver os sonhos da tela quadrada. Não quero mais me concentrar em viver os sonhos de outra pessoa. Bem como, me interesso cada vez menos por pré julgamentos alheios - e isso inclui os meus.
Eu me interesso, nesse momento, em cantar numa só voz.
Do modo como cantei. Do modo como fui ensinada a cantar.
E se eu errar, que alguém cante por mim.
Cante por nós.
Mas, eu me esqueci de que para ter propriedade no que eu dizia, eu precisava viver aquilo de algum modo, e de preferência, de coração aberto.
Nas vezes em que eu olhei com desdém pra quem adorava as tais baladas, festas e festivais, eu me esqueci de considerar que cada pessoa é, em sua plenitude, um universo inteiro e completo. Me esqueci de analisar que se o que eu desejei por um curto espaço de tempo tivesse se concretizado, eu estaria agora vivendo os meus finais de semana numa sala de estar à base de ideias de produtores e diretores que conseguiram conclui-las para entreter a pessoa que eu teria me tornado. Eu estaria na minha antiga e patética corrida contra o tempo para atualizar o meu perfil do filmow.
Se o meu julgamento coubesse perfeitamente no meu antigo discurso blazê, eu não teria sentido o meu coração explodir dentro do meu peito ao som do espetáculo que vi de perto. Eu não teria recebido o olhar e o beijo à distância de um ícone da música atual. Eu não teria me emocionado da forma como me emocionei.
Se eu não tivesse me permitido vivenciar essa experiência, eu não teria visto todas as cores e luzes que vi envolta de mim ao lado de pessoas que me abraçaram, me ergueram, me acolheram, beijaram e seguraram a minha mão em grande parte do tempo em que estive ali.
Eu continuo louca por todos os meus filmes preferidos. Mas não quero mais somente viver os sonhos da tela quadrada. Não quero mais me concentrar em viver os sonhos de outra pessoa. Bem como, me interesso cada vez menos por pré julgamentos alheios - e isso inclui os meus.
Eu me interesso, nesse momento, em cantar numa só voz.
Do modo como cantei. Do modo como fui ensinada a cantar.
E se eu errar, que alguém cante por mim.
Cante por nós.
segunda-feira, 7 de maio de 2018
Gratidão
A minha gratidão vem do som da tua voz, vem daquela tua mania de falar com sotaque nordestino, que antes eu só achava graça e que agora eu também imito.
A minha gratidão vem do teu jeito de me sentir, do teu modo sempre positivo de pensar, de revolucionar. Vem das tuas meditações, do teu empoderamento, da tua maneira em ensinar o daimoku.
A minha gratidão vem do teu cuidado ao me curar, da tua calma ao me amparar, da tua intensidade ao me fazer viver. Vem do pôr do sol que entra pelo vidro da tua janela. Vem da tua alma pura, do teu coração nobre que me acolheu. Que de tantas pessoas que já vieram e foram, sei que quem mais aprendeu fui eu.
A minha gratidão vem dos teus olhos. Vem do formato que eles tem e de tudo o que eles me dizem quando você sequer abre a boca pra dizer.
A minha gratidão não cabe nestas poucas palavras, mas ela e toda a minha força mostram que eu a entrego a você.
A minha gratidão vem do teu jeito de me sentir, do teu modo sempre positivo de pensar, de revolucionar. Vem das tuas meditações, do teu empoderamento, da tua maneira em ensinar o daimoku.
A minha gratidão vem do teu cuidado ao me curar, da tua calma ao me amparar, da tua intensidade ao me fazer viver. Vem do pôr do sol que entra pelo vidro da tua janela. Vem da tua alma pura, do teu coração nobre que me acolheu. Que de tantas pessoas que já vieram e foram, sei que quem mais aprendeu fui eu.
A minha gratidão vem dos teus olhos. Vem do formato que eles tem e de tudo o que eles me dizem quando você sequer abre a boca pra dizer.
A minha gratidão não cabe nestas poucas palavras, mas ela e toda a minha força mostram que eu a entrego a você.
quinta-feira, 26 de abril de 2018
terça-feira, 24 de abril de 2018
Julia no céu com diamantes
Você me mostrou todas as cores que eu vi naquele dia. Elas tinham vida própria.
Nós começamos a dançar, cercados de todas as luzes que o universo nos deu. E percebi que naquele exato momento eu era apenas eu. Mas muito mais do que havia sido antes.
Eu era a morsa, como John Lennon foi um dia.
E eu enxergava diamantes, como Lucy. E flutuava com os pés no chão, ainda assim, como se fosse capaz de voar.
Eu era Alice. E você, o gato, porque ao desaparecer, seu sorriso se tornava o único que eu via em meio ao incrível efeito da luz neon.
Todos os detalhes se moviam. Os desenhos dos azulejos ganhavam vida. As flores do papel de parede, de repente, tinham um toque de mágica e nelas era possível enxergar o vento batendo como num único sopro. E você continuava sorrindo...
Tocou o meu rosto com carinho. Me agradeceu por aquele momento e continuou a sorrir.
Abri os braços e os entreguei ao céu que, por sorte, explodia de estrelas.
As músicas chegavam ao fim. Você permanecia terrivelmente alegre e cheio de emoção.
E continuava sorrindo...
Eis que aquela era a minha insuportável felicidade. Vivi de mim o melhor da minha existência enquanto deslizava os pés pelo que chamamos de pista de dança improvisada.
E naquele momento, além de ser infinita, eu tinha olhos de caleidoscópio.
E você? Você continuava sorrindo...
Everyone smiles as you drift past the flowers.
Nós começamos a dançar, cercados de todas as luzes que o universo nos deu. E percebi que naquele exato momento eu era apenas eu. Mas muito mais do que havia sido antes.
Eu era a morsa, como John Lennon foi um dia.
E eu enxergava diamantes, como Lucy. E flutuava com os pés no chão, ainda assim, como se fosse capaz de voar.
Eu era Alice. E você, o gato, porque ao desaparecer, seu sorriso se tornava o único que eu via em meio ao incrível efeito da luz neon.
Todos os detalhes se moviam. Os desenhos dos azulejos ganhavam vida. As flores do papel de parede, de repente, tinham um toque de mágica e nelas era possível enxergar o vento batendo como num único sopro. E você continuava sorrindo...
Tocou o meu rosto com carinho. Me agradeceu por aquele momento e continuou a sorrir.
Abri os braços e os entreguei ao céu que, por sorte, explodia de estrelas.
As músicas chegavam ao fim. Você permanecia terrivelmente alegre e cheio de emoção.
E continuava sorrindo...
Eis que aquela era a minha insuportável felicidade. Vivi de mim o melhor da minha existência enquanto deslizava os pés pelo que chamamos de pista de dança improvisada.
E naquele momento, além de ser infinita, eu tinha olhos de caleidoscópio.
E você? Você continuava sorrindo...
Everyone smiles as you drift past the flowers.
quinta-feira, 19 de abril de 2018
Redescobertas - Fragmentos Perdidos
Definição: Redescoberta - Nova visão ou interpretação de algo que já se conhecia.
Olhei pelo fundo do floor. Em meio a um pequeno e tímido grupo de pessoas: Você.
Reconheci.
Fitei e logo disfarcei. Comentei com meu amigo ao lado.
Você me olhou de volta. Você sabia quem era eu.
Você sempre soube.
E eu? Bem, eu nunca me esqueço de um rosto. E você foi um rosto familiar por um período muito específico da minha vida, daquela infância cheia de cicatrizes.
Em você, uma porção de características do menininho de olhos puxados que dividiu comigo o primário da escola estadual.
Em você, ainda assim, um mistério e um lado mais obscuro que o que eu encontrei em Darth Vader, meses depois - por influencia sua.
Te levei pra fora, pro outro lado. Comigo você descobriu o gosto das cervejas baratas do bar, reviveu o gosto de uma tequila com limão numa sexta-feira a noite pós expediente. Tragou os ares e os sabores de uma cidade que sozinho, com toda a sua introversão, talvez não tivesse encontrado.
Mas, foi comigo também que você dividiu seus segredos mais sombrios, seus medos mais pavorosos, seus sonhos ligeiramente clichês, suas irritantes manias. E uma intensa saudade que eu sempre soube que nunca mais te abandonaria.
Do meu lado e sob a minha tutela, você perdeu seu receio. Deixou de se esconder das fotos, de inventar desculpas esfarrapadas, de prorrogar o que poderia ser vivido de toda a sua liberdade.
Descobriu outros lados, outros olhos, outros pontos de vista, pessoas em volta. Aceitou algumas e repudiou outras, me protegendo.
Descobriu que seus passos de dança poderiam caber perfeitamente em músicas pós-punk numa balada e que é totalmente aceitável se emocionar ao som dos clássicos de David Bowie.
Descobriu meus filmes preferidos e todas as histórias por trás deles.
E eu? Bem, eu perdi a vergonha de comer um lanche enquanto você me fitava e de parecer uma criança que não sabe comer doces sem se lambuzar. Perdi a paciência com as provocações que sofri por quem nunca entendeu que nós, acima de tudo, sempre fomos amigos.
Perdi as estribeiras e te xinguei algumas dúzias de vezes. Perdi o meu orgulho e te pedi perdão, depois.
Sob a sua tutela eu explorei o universo de Star Wars, o ritmo de Daft Punk e mais uma porção de referências que eu levaria uma vida inteira pra pontuar.
Olhei pelo fundo do floor. E quando seus olhos me devolveram esse mesmo olhar, eu ainda não tinha certeza que teria tanto de alguém pra caber em mim.
Criação em: Junho/2017
Olhei pelo fundo do floor. Em meio a um pequeno e tímido grupo de pessoas: Você.
Reconheci.
Fitei e logo disfarcei. Comentei com meu amigo ao lado.
Você me olhou de volta. Você sabia quem era eu.
Você sempre soube.
E eu? Bem, eu nunca me esqueço de um rosto. E você foi um rosto familiar por um período muito específico da minha vida, daquela infância cheia de cicatrizes.
Em você, uma porção de características do menininho de olhos puxados que dividiu comigo o primário da escola estadual.
Em você, ainda assim, um mistério e um lado mais obscuro que o que eu encontrei em Darth Vader, meses depois - por influencia sua.
Te levei pra fora, pro outro lado. Comigo você descobriu o gosto das cervejas baratas do bar, reviveu o gosto de uma tequila com limão numa sexta-feira a noite pós expediente. Tragou os ares e os sabores de uma cidade que sozinho, com toda a sua introversão, talvez não tivesse encontrado.
Mas, foi comigo também que você dividiu seus segredos mais sombrios, seus medos mais pavorosos, seus sonhos ligeiramente clichês, suas irritantes manias. E uma intensa saudade que eu sempre soube que nunca mais te abandonaria.
Do meu lado e sob a minha tutela, você perdeu seu receio. Deixou de se esconder das fotos, de inventar desculpas esfarrapadas, de prorrogar o que poderia ser vivido de toda a sua liberdade.
Descobriu outros lados, outros olhos, outros pontos de vista, pessoas em volta. Aceitou algumas e repudiou outras, me protegendo.
Descobriu que seus passos de dança poderiam caber perfeitamente em músicas pós-punk numa balada e que é totalmente aceitável se emocionar ao som dos clássicos de David Bowie.
Descobriu meus filmes preferidos e todas as histórias por trás deles.
E eu? Bem, eu perdi a vergonha de comer um lanche enquanto você me fitava e de parecer uma criança que não sabe comer doces sem se lambuzar. Perdi a paciência com as provocações que sofri por quem nunca entendeu que nós, acima de tudo, sempre fomos amigos.
Perdi as estribeiras e te xinguei algumas dúzias de vezes. Perdi o meu orgulho e te pedi perdão, depois.
Sob a sua tutela eu explorei o universo de Star Wars, o ritmo de Daft Punk e mais uma porção de referências que eu levaria uma vida inteira pra pontuar.
Olhei pelo fundo do floor. E quando seus olhos me devolveram esse mesmo olhar, eu ainda não tinha certeza que teria tanto de alguém pra caber em mim.
Criação em: Junho/2017
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