Não que fosse de um ego espantosamente frágil, mas havia nele algo que eu não entendia.
Era intenso, doce, leve e inquieto. E a cada palavra, se tornara um pouco mais terno e ligeiramente compreensivo.
Veio ao mundo como o único filho de uma relação instável.
Desenvolveu, ao longo dos anos, uma pequena dificuldade na fala, provida de seus traumas de infância.
Carregava nas mãos calos e sonhos, que gritava aos quatro ventos, cantando a vida como quem garante a vitória iminente.
Apaixonado pelo próprio espírito e movido por uma falsa modéstia que o tornava o que ele era para toda e qualquer aventura da madrugada: Encantador.
Os cabelos claros refletiam nele a breve imagem de criança, um garoto sem rumo, que eu jurei em segredo proteger.
Havia naquele rosto, os olhos mais verdes que já vi.
E mesmo crendo que o pecado nada mais era que um puro ato de ingenuidade, suas provocações tiravam parte do ser sublime que eu fui um dia.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
domingo, 24 de outubro de 2010
Meramente sagaz
Encontre a lógica de todos os meus pensamentos, ou simplesmente se perca em devaneios ilusórios, usando sua criatividade apenas para fazer com que o tempo passe mais devagar.
Encontre a inspiração dos meus sentidos, ou me faça crer que meu desejo é meramente sagaz. Junte meu medo de altura à sua vontade de voar.
Encontre uma justificativa para me desmartirizar, e um breve motivo para me marcar. Me conte todas as mentiras que eu já sei que vai dizer.
E diga a ele que essa noite, quem me leva pra casa é você.
Encontre a inspiração dos meus sentidos, ou me faça crer que meu desejo é meramente sagaz. Junte meu medo de altura à sua vontade de voar.
Encontre uma justificativa para me desmartirizar, e um breve motivo para me marcar. Me conte todas as mentiras que eu já sei que vai dizer.
E diga a ele que essa noite, quem me leva pra casa é você.
domingo, 15 de agosto de 2010
Lucidez
Me mantive calma e ligeiramente fiel às minhas próprias vontades. Parte significativa do que eu sou, sabia que nada do que eu quisesse erroneamente transparecer duraria por muito tempo.
Estive apaixonada por meras horas, durante algumas noites, agindo como se todo o resto de cada situação fosse apenas derivado daquilo que eu desejasse momentaneamente.
Enfim, cheguei ao meu estágio de lucidez, novamente. Enfim notei que por não sentir mais tanto a sua falta, comecei apenas a sentir falta de mim mesma, como antes. Antes de acreditar que pecado era uma simples palavra e que subestimaria minha coragem, ao agir inúmeras vezes de modo impensado.
Me mantive inquieta, e agora permaneço constante, sem um novo desejo pra suprir, ou lábios alcoolizados para calar. E parte das mais nobres lembranças está presa em mim, nas minhas veias, na minha pura nostalgia; ou apenas tatuadas no meu pescoço.
Talvez esse seja o meu estado emocional temporário, ou talvez eu descubra que estou realmente muito mais presa à tudo isso como jamais imaginei que estaria.
É sempre amor, mesmo que acabe
Com ele aonde quer que esteja
É sempre amor, mesmo que mude
É sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou
Estive apaixonada por meras horas, durante algumas noites, agindo como se todo o resto de cada situação fosse apenas derivado daquilo que eu desejasse momentaneamente.
Enfim, cheguei ao meu estágio de lucidez, novamente. Enfim notei que por não sentir mais tanto a sua falta, comecei apenas a sentir falta de mim mesma, como antes. Antes de acreditar que pecado era uma simples palavra e que subestimaria minha coragem, ao agir inúmeras vezes de modo impensado.
Me mantive inquieta, e agora permaneço constante, sem um novo desejo pra suprir, ou lábios alcoolizados para calar. E parte das mais nobres lembranças está presa em mim, nas minhas veias, na minha pura nostalgia; ou apenas tatuadas no meu pescoço.
Talvez esse seja o meu estado emocional temporário, ou talvez eu descubra que estou realmente muito mais presa à tudo isso como jamais imaginei que estaria.
É sempre amor, mesmo que acabe
Com ele aonde quer que esteja
É sempre amor, mesmo que mude
É sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou
sábado, 7 de agosto de 2010
Vai, e volta
Mais de uma vez eu procurei a resposta para qualquer indício desse amor confuso, e de certo, desconfiei de mais da metade das suas justificativas.
Passando por tantos outros momentos, e tantos outros sentimentos, com a consciência de que no fundo você já sabia que eu sempre voltaria pra você.
E fui pesando cada parte de mim que se escondeu, enquanto sufocava a minha própria vontade, e negava qualquer referência ao que fomos um dia.
O que mais me espanta é o fato de ouvir meia dúzia de palavras confusas durante a madrugada insana e me permitir estar à mercê da sua vontade mais uma vez, como em tantas outras. E saber que seu ego é totalmente imune aos meus sorrisos e às minhas tentativas falhas de não nos perder novamente.
Me frustro, mas já não lamento.
'Se realmente não sou um dos seus joguinhos, por favor, não me torne inconscientemente parte de um deles.'
Passando por tantos outros momentos, e tantos outros sentimentos, com a consciência de que no fundo você já sabia que eu sempre voltaria pra você.
E fui pesando cada parte de mim que se escondeu, enquanto sufocava a minha própria vontade, e negava qualquer referência ao que fomos um dia.
O que mais me espanta é o fato de ouvir meia dúzia de palavras confusas durante a madrugada insana e me permitir estar à mercê da sua vontade mais uma vez, como em tantas outras. E saber que seu ego é totalmente imune aos meus sorrisos e às minhas tentativas falhas de não nos perder novamente.
Me frustro, mas já não lamento.
'Se realmente não sou um dos seus joguinhos, por favor, não me torne inconscientemente parte de um deles.'
segunda-feira, 12 de julho de 2010
O ato dos sublimes desejos
Um sorriso que já havia sido visto antes em algum outro lugar, em tempos remotos e distantes, que agora seriam parte de uma lembrança comum e bela.
Notou-a ao longe e corou o rosto em meio a tantos outros desconhecidos.
Ao longo de palavras curiosas e um tanto banais, os risos se mantinham, ao mesmo tempo em que inúmeras perguntas lhes preenchiam a mente.
O crime maior seria negar um desejo oculto e levemente esquecido, ou supri-lo da forma mais inconseqüente possível?
A troca de olhares intrigados e dispersos não os deixaria lamentar qualquer ação chamada indevida ou impensada. As palavras se engasgavam ao meio de tantas outras que deveriam ser ditas com pouco menos de convicção.
A mudança de ambiente os ajudaria a compreender melhor o que todas aquelas palpitações em ambos os peitos significava.
Longe de olhos curiosos, fez-se o ato dos sublimes desejos; onde ele dizia sentir-se como criança ao seu lado, e lhe correu o rosto com os lábios, até chegar em sua boca o gosto de tanto tempo atrás.
Finalmente haveria alguém que pudesse fazê-la parar de se repreender, enquanto não soubesse mais pensar em romances anteriores.
Os braços lhe repuxavam com tal força capaz de desmanchar o medo e a dúvida presentes em seus pensamentos confusos. Mordia-lhe o lábio, lhe beijava o rosto, e lhe segurava a cintura, com as mãos num movimento que descia até as costas; com aqueles longos e castanhos cabelos jogados em seus ombros.
Tocava-lhe a ponta do queixo e as maças do rosto, dizendo sorrindo o quão bela ela podia ser.
Supria-se a nostalgia misturada ao novo momento que se fazia, enquanto os vidros do carro se embaçavam em meio ao breu da noite.
Notou-a ao longe e corou o rosto em meio a tantos outros desconhecidos.
Ao longo de palavras curiosas e um tanto banais, os risos se mantinham, ao mesmo tempo em que inúmeras perguntas lhes preenchiam a mente.
O crime maior seria negar um desejo oculto e levemente esquecido, ou supri-lo da forma mais inconseqüente possível?
A troca de olhares intrigados e dispersos não os deixaria lamentar qualquer ação chamada indevida ou impensada. As palavras se engasgavam ao meio de tantas outras que deveriam ser ditas com pouco menos de convicção.
A mudança de ambiente os ajudaria a compreender melhor o que todas aquelas palpitações em ambos os peitos significava.
Longe de olhos curiosos, fez-se o ato dos sublimes desejos; onde ele dizia sentir-se como criança ao seu lado, e lhe correu o rosto com os lábios, até chegar em sua boca o gosto de tanto tempo atrás.
Finalmente haveria alguém que pudesse fazê-la parar de se repreender, enquanto não soubesse mais pensar em romances anteriores.
Os braços lhe repuxavam com tal força capaz de desmanchar o medo e a dúvida presentes em seus pensamentos confusos. Mordia-lhe o lábio, lhe beijava o rosto, e lhe segurava a cintura, com as mãos num movimento que descia até as costas; com aqueles longos e castanhos cabelos jogados em seus ombros.
Tocava-lhe a ponta do queixo e as maças do rosto, dizendo sorrindo o quão bela ela podia ser.
Supria-se a nostalgia misturada ao novo momento que se fazia, enquanto os vidros do carro se embaçavam em meio ao breu da noite.
domingo, 4 de julho de 2010
Boys don't cry
Notava-se o estranho pesar de um silêncio, que não seria quebrado por qualquer palavra que fosse.
As mesmas mãos tentavam tocá-la, e sem sucesso, mantinham o alto-controle por respeito próprio.
Ao acrescentar minutos aos ponteiros do relógio, notava-se o quão inútil seria discutir a dúvida, e a incerteza, presos num sonho que acabara ali.
Ela o fitou, calada; ao mesmo tempo em que o olhar dele era como o de alguém que tivera o peito pesado, numa estranha e ligeira agonia.
Inevitável e de certo, imprevisível, eram as lágrimas que escorriam daquele rosto, aparentemente sem fragilidade alguma.
Ele lhe sentia a vergonha, e a passageira sensação de perda; de algo que talvez pudesse valer a pena.
As palavras se misturavam ao resto de tantas outras que haviam sido ditas, anteriormente.
Num movimento involuntário, ele lhe acomodava ao peito, e lhe trazia junto ao próprio rosto, na intenção de senti-la pelo pouco que fosse, mais uma vez.
E mesmo após relutar, ela lhe aceitou de bom grado, retribuindo nos mesmos laços.
E foi quando a voz de menina passou a lhe cantar ao pé do ouvido:
''Something in the way she moves, attracts me like no other lover…
Something in the way she woos me. I don't want to leave her now,
You know I believe and how (…)
You're asking me, will my love grow?
I don't know, I don't know''
Enquanto ouvia o fim da melodia, ele deixava escapar lágrimas que se tornavam incapazes de se controlar; segurando-a com cada vez mais força nos braços.
E ambos não sabiam mais explicar se aquele era realmente o fim de um sentimento, ou o começo de outro.
Ela se despediu, sem inchar os olhos e nem ao menos molhar o rosto; enquanto ele tentara se recompor, passando as abas da blusa de lã por suas feições, já esgotadas.
Num sublime gesto, ela lhe beijou a testa, sorriu e lhe deu um breve adeus.
Ele, já exausto, agachara-se no chão da calçada, fitando-a até que lhe perdesse totalmente de vista.
Ela, por sua vez, olhou para traz um último momento, e seguiu.
As mesmas mãos tentavam tocá-la, e sem sucesso, mantinham o alto-controle por respeito próprio.
Ao acrescentar minutos aos ponteiros do relógio, notava-se o quão inútil seria discutir a dúvida, e a incerteza, presos num sonho que acabara ali.
Ela o fitou, calada; ao mesmo tempo em que o olhar dele era como o de alguém que tivera o peito pesado, numa estranha e ligeira agonia.
Inevitável e de certo, imprevisível, eram as lágrimas que escorriam daquele rosto, aparentemente sem fragilidade alguma.
Ele lhe sentia a vergonha, e a passageira sensação de perda; de algo que talvez pudesse valer a pena.
As palavras se misturavam ao resto de tantas outras que haviam sido ditas, anteriormente.
Num movimento involuntário, ele lhe acomodava ao peito, e lhe trazia junto ao próprio rosto, na intenção de senti-la pelo pouco que fosse, mais uma vez.
E mesmo após relutar, ela lhe aceitou de bom grado, retribuindo nos mesmos laços.
E foi quando a voz de menina passou a lhe cantar ao pé do ouvido:
''Something in the way she moves, attracts me like no other lover…
Something in the way she woos me. I don't want to leave her now,
You know I believe and how (…)
You're asking me, will my love grow?
I don't know, I don't know''
Enquanto ouvia o fim da melodia, ele deixava escapar lágrimas que se tornavam incapazes de se controlar; segurando-a com cada vez mais força nos braços.
E ambos não sabiam mais explicar se aquele era realmente o fim de um sentimento, ou o começo de outro.
Ela se despediu, sem inchar os olhos e nem ao menos molhar o rosto; enquanto ele tentara se recompor, passando as abas da blusa de lã por suas feições, já esgotadas.
Num sublime gesto, ela lhe beijou a testa, sorriu e lhe deu um breve adeus.
Ele, já exausto, agachara-se no chão da calçada, fitando-a até que lhe perdesse totalmente de vista.
Ela, por sua vez, olhou para traz um último momento, e seguiu.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Faz parte do meu show
Senti a vontade que existiu apenas em alguns momentos, em toda a minha breve vida medíocre.
A estranha vontade em desaparecer por tempo indeterminado. A necessidade em me afastar de todo o universo que conspira contra as minhas ilusões de pequenas proporções.
O desejo em proteger o lado sublime dos meus sentimentos de qualquer que seja o perigo neles imposto.
- Vem comigo.
- Pra onde?
- Pra qualquer lugar que nos deixe longe de tudo. Não quero mais viver aqui.
- Por que?
- Porque me sinto desprotegida, assustada. Sempre há um medo em mim, que me sufoca e eu não quero mais sentir isso.
- Não precisa sentir, você sabe. Eu te protejo, estou aqui com você, agora.
- E o dia em que você não estiver?
- Sempre vou estar.
- Como você sabe? Como sabe que sou a garota da sua vida?
- Porque eu já te disse isso tantas vezes que perdi a conta. Se não fosse você, não seria mais ninguém...
- Sempre vai me perdoar por duvidar de você?
- Quero que não duvide mais.
A vontade em fugir passa, logo que descubro que o nosso mundo já é grande o suficiente para comportar o que sentimos e condizer com o que fazemos.
A estranha vontade em desaparecer por tempo indeterminado. A necessidade em me afastar de todo o universo que conspira contra as minhas ilusões de pequenas proporções.
O desejo em proteger o lado sublime dos meus sentimentos de qualquer que seja o perigo neles imposto.
- Vem comigo.
- Pra onde?
- Pra qualquer lugar que nos deixe longe de tudo. Não quero mais viver aqui.
- Por que?
- Porque me sinto desprotegida, assustada. Sempre há um medo em mim, que me sufoca e eu não quero mais sentir isso.
- Não precisa sentir, você sabe. Eu te protejo, estou aqui com você, agora.
- E o dia em que você não estiver?
- Sempre vou estar.
- Como você sabe? Como sabe que sou a garota da sua vida?
- Porque eu já te disse isso tantas vezes que perdi a conta. Se não fosse você, não seria mais ninguém...
- Sempre vai me perdoar por duvidar de você?
- Quero que não duvide mais.
A vontade em fugir passa, logo que descubro que o nosso mundo já é grande o suficiente para comportar o que sentimos e condizer com o que fazemos.
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