THERE'S NOTHING YOU CAN MAKE THAT CAN'T BE MADE.

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sexta-feira, 10 de junho de 2022

Precisamos falar sobre como as redes sociais tratam uma pessoa traída

Mais um dia dos namorados segue batendo à porta.
Nas redes sociais, vemos todo o tipo de propaganda e interação que menciona essa data tão comercial.
Junto a isso, temos as infinitas páginas e usuários das redes que se utilizam de suas contas para atacar outras pessoas e fazê-lo com o batido argumento que fomenta a ''liberdade de expressão''.

De repente, em meio a tantas publicações exageradas e desnecessárias, temos as frases apelativas que zombam de pessoas que já sofreram uma traição.
As famosas ''com um print eu acabo com esse namoro'', ''no dia dos namorados vou ver corno (a) se declarando" e inúmeros conteúdos cujo o único objetivo é disseminar discórdia e ativar gatilhos.
Falo abertamente, pois muitas pessoas que fazem parte da minha vida hoje já sabem: Eu faço parte desse infeliz grupo que sofreu traição. E dentro desse contexto, eu afirmo: Isso não é piada. E não, não tem graça.
A pessoa traída perde o chão. Perde a confiança em si mesma apesar de ter em seu íntimo a certeza de que deu o seu melhor em incontáveis situações.
A pessoa traída sente vergonha de ter que passar por essa realidade - mesmo que não devesse. E o processo de digestão a esse fato custa um esforço grande todos os dias.
 
Então, da mesma forma em que não se deve tripudiar sobre uma doença psicológica, usar um artifício que desperte esses gatilhos em quem está ou já esteve nesse processo, é tão cruel quanto.
Repense.
Repense se você não está apenas compartilhando, repercutindo ou incitando esse tipo de discurso e ''brincadeira'' pelo simples fato de não estar conseguindo ter controle sobre sua própria vida.

Se ao publicar esse tipo de conteúdo, você não está tentando atacar casais ou situações nas quais no fundo, você realmente gostaria de estar inserido.
Deixe que as pessoas em seus respectivos relacionamentos se perdoem, se reconectem, aprendam com seus próprios erros e suas falhas.

E, se você se enxerga como um ser humano superior por ter em sua posse ''provas'' e detalhes íntimos sobre a vida de casal, seja ele qual for, isso só me mostra que você tem muito mais a evoluir.

quarta-feira, 1 de junho de 2022

Brilho eterno de rascunhos aleatórios de quem eu fui e não sou mais

Fui passear pela minha coleção de fragmentos e rascunhos. Textos que escrevi ao longo de todos esses anos, enquanto nem imaginava que te encontraria.
Me vi mais jovem, romantizando o fato de me envolver com pessoas tão absurdamente diferentes de mim. 
Percebi nas minhas eloquentes palavras a capacidade de ignorar coisas que eu julgava significativas e abafar vontades, numa tentativa desesperadamente falha de caber em espaços pequenos demais pra mim.
Estava constantemente apaixonada pela ideia de me apaixonar, de viver um amor que eu acreditava ser capaz de curar as minhas inquietações e tudo o que eu achava que existia de incoerente no meu íntimo, sem sequer compreender que a minha real intimidade sempre pertenceu somente a quem eu sou.


segunda-feira, 23 de maio de 2022

Será?

Quantas respostas cabem numa pergunta tão curta?
Eram tantas as certezas pré-estabelecidas, que quando me deparei com uma pergunta tão simples, já havia me perdido no contexto do que eu poderia ter respondido. Já havia esquecido quem era eu.
Quantas variáveis cabem num ''será''?
Quantas deveriam caber dentro da gente?
"Será" é tudo o que não foi e poderia ter sido. Ou o que pensamos não ser e de fato, é.
São todas as possibilidades que a gente ignora pra não enlouquecer. São todas as vontades que a gente reprime pra não padecer.
"Será" são todos os "quase", os "talvez", os "e se..."
Sugere um questionamento retórico. 
Parece até um insulto a minha inteligência, uma forma muito bem colocada de me fazer duvidar de tudo o que eu sempre achei que sabia. E o meu contato com toda a incerteza que sempre habitou dentro de mim.


quinta-feira, 24 de março de 2022

Cicatrizes

Cicatriz: Fechamento de lesão na derme provocada por acidente ou cirurgia. Quando acontece a ruptura da derme, o colágeno vai sendo remodelado de maneira que a lesão seja fechada até que haja a regeneração das células no local ferido, gerando uma marca.

Não somos nós quem definimos o tempo de cura das nossas cicatrizes. 
Toda vez que penso nas mais profundas desses últimos tempos, eu me lembro de perdoar as anteriores e de olhá-las com cuidado.
Aquelas cicatrizes que pareciam mortais, que foram criadas de forma tão intensa...
Hoje posso entendê-las melhor. E entender um pouco de quem ajudou a criá-las em mim.
E olho com tamanho entendimento que até me espanta. Entendimento esse que nunca me veio tão claramente. 
Eu nunca achei que fosse agradecer pela existência dessas cicatrizes, mas foram elas que me ajudaram a me sobressair quando eu caí de novo.

Sigo tentando cauterizá-las, mesmo sabendo que exigem de mim a paciência que eu também nunca tive.

A verdade é que nunca imaginei que uma cicatriz que sangrasse tanto, fosse a responsável por me fazer sobreviver.

terça-feira, 15 de março de 2022

Só de passagem

Quando abri essa singela página cuja foto não muda já há alguns anos, percebi que de tantos pensamentos expressados ao vivo nos últimos meses, e de tantos outros que usei como base para filosofar; sequer fui capaz de escrever uma mísera linha sobre eles.
Sinceramente, acredito que é disso que meu pai fala todas as vezes em que insiste para que eu evidencie o meu talento.
É definitivamente sobre isso. Sobre a minha total falta de cuidado para com o meu dom mais precioso.
Eu tive incontáveis inspirações nesse meio tempo que corresponde ao mês de Setembro até aqui.
Foram infinitas experiências e todo o processo que as tornaram parte fundamental do que estou me tornando.
Foram inúmeras análises de mim para comigo mesma e todo o aprendizado do qual abertamente falei, mas que ainda assim, não expressei em um dos meus cantos mais valiosos: Esse aqui.
Quando abro a página inicial desse meu mundinho, eu me revisito. Olho no fundo dos meus olhos com vinte e tantos anos, recém saída de uma das relações mais importantes da minha vida e pronta para me perder numa outra vida apaixonante que eu já sabia que também não me pertencia.
Perdi a conta de quantas foram as vezes em que eu me busquei tentando me encontrar a todo custo.
E agora que finalmente me encontrei, eu enfrento os medos que são infinitamente reais em comparação aos anteriores.

Contraditoriamente sei que esse é o momento em que eu não posso temer nada.

Só passei por aqui. Por curiosidade.
Pra me lembrar de quem eu sou. De quem eu já fui.
Só passei. Porque de fato, estou só de passagem mesmo...

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Para me perder de tudo o que eu achei que sabia

Eu sempre dizia que eu não me envolveria - talvez só mesmo sendo muito ingênua ou muito arrogante para julgar possível me apaixonar e ainda assim, me achar capaz de controlar um sentimento dessa magnitude.
Mas, foi exatamente o que eu fiz. Eu me recusava a crer naquele fato tão óbvio. Não aceitava bem a ideia de me prender a outra pessoa, no que eu considerava ser tão pouco tempo de convivência. 
Eu me via livre e era como eu queria estar. 
Eu entendia por liberdade, acima de tudo, estar isenta das dores que uma desilusão amorosa poderia me causar. 
A minha vida já era tão cheia de amores fracassados e tão presente de um amor que havia efetivamente permanecido até aquele momento, que eu achava que não sobraria espaço para mais ninguém. Achava que poderia controlar tudo o que dissesse respeito a mim e aos meus sentimentos. E mesmo sendo sempre tão instintivamente pisciana - e com essa definição, extremamente romântica - eu acreditava genuinamente que deveria me manter sozinha. Eu, comigo mesma. Foi assim que me perdi completamente dessa ideia.
Foi assim, inclusive, que caminhei em direção a você.
Para me perder de tudo o que eu achei que sabia. Para me desfazer de quem eu já havia sido. Para me desafiar cuidar mais pacientemente de alguém. Para me desconstruir dos meus antigos erros e criar em mim a fé em novos acertos.
Para compreender, talvez pela primeira vez na minha vida, o que é o amor de verdade.

terça-feira, 6 de julho de 2021

Eu sou, eu fui, eu vou

Eu sou todos os sonhos não realizados da minha mãe. Todas as vezes em que seu amor foi maior que seu cansaço.
Eu sou todas as histórias do meu pai e o modo como também aprendi a contá-las, tornando-as minhas.
Eu sou o primeiro grande amor do meu irmão. E toda a sua coragem em enfrentar a vida.
Eu sou todas as músicas que já ouvi. E meu nome traz algumas das minhas preferidas, que eu acredito ter sido compostas por artistas geniais.
E sou todas as minhas falas de antes. Que mudaram e agora não se encaixam mais em quem eu me tornei.
Eu sou todas as ideias que já tive e todas que ainda terei. Todos os amores que guardei e todos os que não jurei.
Eu sou John, Paul, George e Ringo. Talvez mais Paul que John. E certamente muito mais George que todo o resto.
Eu sou tudo. Um infinito impermanente, complexo e distinto. E sou todas as coisas que não sei e sequer vou descobrir. 
E como já dizia Raul: Eu sou, eu fui, eu vou.