There's nothing you can make that can't be made.

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sábado, 30 de setembro de 2017

Ela não vai se casar

Ela nunca vai se casar.
E não importa quantas vezes a tia avó pergunte a respeito da sua duradoura relação de quatro anos. Ela ainda não vai se casar. Mesmo que o status de relacionamento da maioria de seus colegas de escola seja alterado para "em um noivado" ou "casado(a) com".
Ela não vai se casar. Não enquanto isso for uma imposição. Um questionamento de quem acha que a vida é essencialmente: crescer, casar, reproduzir e morrer.
Ela não vai se casar. Não aos 25. Nem aos 26. Talvez nem mesmo aos 27. E não será tarde. Ainda não é. Ela não vai se casar.
Não antes de conhecer mais cinco estados do país onde vive. Não enquanto suas mãos não tocarem a neve ou até enterrar os próprios dedos dos pés na areia de alguma outra praia nudista. Até ter atravessado a fronteira de um dos países vizinhos. Ela não vai se casar.
Não até ter certeza de que o eleito para essa árdua tarefa concordará com uma parede amarela na sala, ou com mais de 5 tipos de quadros dos Beatles espalhados pelo corredor do que deveria ser "o lar do casal casado".
Ela nunca vai se casar. Não enquanto a pergunta típica das reuniões de família for "e quando você pretende se casar?". Não haverá a belíssima cerimônia católica com sermão sobre a necessidade do homem em ter uma mulher como seu pilar para uma vida maravilhosamente convencional.
Não enquanto ela não fizer seu grande amor compreender sua paixão por animais, por J.R.R. Tolkien, por clássicos românticos do cinema. Eu realmente acho que ela será excepcionalmente feliz.
Mas se me perguntar agora: Acho que não, ela nunca vai se casar.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Ela - E todas as suas cores

Ela me conduziu com palavras ternas e seguras.
Me pediu que fechasse os olhos e, em seguida, ditou um breve exercício de meditação para que eu pudesse me conter.
Sua voz me guiava ao mesmo tempo que eu abandonava as dores e tensões emocionais contidas naquele meu peito já tão calejado.

Os olhos dela refletiam uma cor intensa, imensa, que eu mesma nunca reconheci igual em qualquer outro lugar. Não necessariamente por sua cor absurdamente azul, mas por conterem em si a força e a delicadeza, numa mesma proporção. Neles, era fácil reconhecer a pureza da própria alma, que aos poucos, me fazia crer em dias muito mais sãos.
O restante de suas cores era refletido num sorriso largo cheio de honestidade e paz. E envolta, a cor lilás de sua aura, agora já excessivamente óbvia à mim, que nunca havia enxergado nada semelhante antes.
Ela trazia consigo a leve intensidade de cores quentes, expressivas. Irradiava uma luz que se poderia reconhecer até mesmo do mais escuro poço.

Ela me ofereceu a chance de abandonar tudo o que eu pensava que sabia sobre mim mesma.
E recomeçar. Me estendeu a mão numa leveza que me curou de muitos pesares, mais tarde.

"A vida é sábia. E os desafios que vierem até você serão aqueles que você poderá superar, mesmo que tenha de ir ao limite das suas forças." - Ela me disse, certa vez. E dessa frase eu nunca poderia me esquecer.

Ao dia dela. Ao que ela representa, os meus sinceros e eternos votos de felicidade e gratidão.


segunda-feira, 12 de junho de 2017

Ensinamento sobre o dia dos namorados - Tutorial aplicado pelos meus pais sobre como ser feliz na simplicidade

O meu celular vibrou, indicando novas mensagens do aplicativo. Era a minha mãe, pronta pra dividir algo novo comigo - como aprendeu a fazer religiosamente desde que tomou conhecimento da era digital.

- Julieeeetaaaaa.

As mensagens vinham disparadas, logo em sequência:

- Eu e o papai nos demos presentes de dia dos namorados! Ele me deu dois pés de rosas já plantadas e com botões. E eu dei um pé de acerola plantado que ele escolheu.

Achei graça logo de cara. Mas a graça que eu via não tinha tom de deboche.
Minha mãe se mostrou mais uma vez graciosa, falando alegre sobre um mimo tão simples recebido do homem por quem está apaixonada há mais de 26 anos.

Eu brinquei. Me fiz de engraçadinha.

- Own! Vocês estão trocando plantas, que lindo! rs... to brincando, mãe! Achei muito legal o gesto dos dois! - Mandei, incluindo alguns emojis de whatsapp as minhas observações.

Em seguida, ela me respondeu. E a resposta dela, meu irmão - que também dividiu desse momento - e eu, levaremos para o resto de nossos dias:

- É porque plantas duram uma vida. Por isso a gente preferiu assim.

Esse texto é pelo dia de hoje, por um incentivo. Para que você, eu e todo o resto não perca de vista que amor é isso. E só. E é o que realmente importa. Além dos egoísmos e das vaidades.
O amor, real e puro é assim. É a boa vontade, partindo da simplicidade de um gesto. É a dedicação de plantar e ver florescer. É o sorriso que eu, mesmo distante, consigo imaginar que ela ofereceu ao meu pai e do beijo que provavelmente lhe entregou em seguida.
É por toda a sabedoria que ela - mais uma vez - me transmitiu sem perceber.


quinta-feira, 4 de maio de 2017

Não somos padrão

Ele me disse isso na mesma noite em que uma colega de trabalho perguntou se era eu quem fazia minhas próprias roupas.
Ele me disse que sabia que éramos diferentes de toda aquela maioria. Eu concordei.
As pessoas nos olharam. E eu sei que de algum modo, nos invejaram. Não por sermos seres superiores, dignos de tamanha inveja - até porque estávamos bem distantes disso. Mas pelo simples fato de termos um ao outro. E por isso, também estarmos distantes da compreensão humana, do socialmente aceitável e permitido. 
Ele não tinha sexo. Eu também não. Ele não era mais um desses tantos. Eu também não.
Não somos padrão. Não éramos na infância. Nem seríamos agora. 
Nunca fomos.
Ele sempre soube aprofundar conversas e pontos de vista. Eu sempre soube dar vazão a toda a criatividade adquirida a partir daí.
Não somos padrão. Ele já me disse isso uma porção de vezes. Ele já me enalteceu mais tantas outras. 
E foi firme na ideia de que nada poderia invadir a cumplicidade que criamos.
Essa que uso pra me expressar em códigos, essa que me permite falar e ser compreendida. Essa que quebra tabus e nos faz cuspir na padrão alheio.
Porque nós não fomos e nunca seremos padrão.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Ao meu querido amigo - Fragmentos Perdidos

Querido amigo,

Eu não teria crescido nem metade, nem por inteiro o que cresci depois da ferida funda que você me abriu no peito.
Creio que jamais compreenderia tudo o que pude de mim mesma se não o tivesse encontrado pelo caminho.
Assumo que em todos estes anos, eu ainda não havia aprendido a buscar o rumo, e encontrá-lo sozinha. Reconheço que sofri a dor agonizante de uma solidão mal compreendida, mal interpretada e mal resolvida. Houve quem dissesse que eu jamais me reergueria. Houve quem rezasse por uma recuperação miraculosa. Houve quem quisesse estar no seu lugar. E houve quem reconhecesse o quão nocivo foi abandonar uma rotina onde existia você o tempo todo.
Ouvi vozes na minha cabeça durante um bom tempo. Sofri a privação mais turbulenta de que me lembro: A sua falta excessiva, que agora só me parece talvez menos nociva que a sua presença - presença essa que eu tinha na mesma proporção, em tempo integral.
Acordei gritando durante algumas madrugadas. Assustei as pessoas ao meu redor com meu comportamento exacerbado e não me orgulho disso. Mas foi graças a você que eu aprendi a levantar e recomeçar. Foi o seu pedido de resistência e força que me tornou o que eu deveria ser agora - e o que sou.
A sua firmeza - e certa frieza - em insistir num abandono necessário, foi fundamental para que eu aprendesse a enxergar tudo o que eu já tinha ignorado.
Compreendi, por fim, que minhas breves greves de fome e as insistentes batidas infantis de pés não te trariam ao meu convívio outra vez.
Aprendi a olhar para as lembranças sem sentir a ferida sangrar ou arder. Aprendi a não abri-la o tempo todo. Aprendi que você não precisava ser dor. Porque em mim, você era felicidade. Mesmo quando tudo o que eu te causava era tristeza e confusão.

A sua partida brusca certamente me ensinou.
E por isso - por tudo isso -  a você, o meu eterno e genuíno sentimento de gratidão.


Criação em: Maio/2016



quinta-feira, 16 de março de 2017

A desconhecida - Fragmentos Perdidos

É, eu sei. É essa minha mania de querer escrever sobre tudo e ter algo para justificar.

Me afeiçoei a alguém que é de extrema importância pra você, e o fato de saber parte da história dos dois me faz querer visitar seu tumblr quase que diariamente, e ler as citações nele como quem lê um livro e espera que o final seja o melhor possível. Não sei se já ouviu falar de mim ou se incomodo em algum aspecto. Apenas noto em mim a necessidade de te dizer coisas, te aconselhar de algum modo, como se já te conhecesse. E é então que percebo... eu não a conheço. Nunca nos vimos, nunca sequer havíamos trocado um ‘’olá’’ e eu nem mesmo ouvi sua voz. Tomei coragem pra fazê-lo a pouco, quando por conveniência, me certifiquei de que você não teria razões para desgostar de alguém como eu.
E me fascinei. Após trocar pouco mais que algumas palavras, notei quais eram os motivos pelos quais meu amigo, seu estimado amado, se tornou tão refém de seus encantos. Não nos parecemos. De certo, você provavelmente gosta de coisas que nunca conheci, e eu, conheço coisas que a você não satisfaz.
Mas, é certo que de imediato senti a prévia necessidade de protegê-la e defendê-la de um mundo que luta para mantê-la afastada daquilo que mais quer.

Criação em: Março/2012

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Sorrisos de Pollyanna - Fragmentos Perdidos

- Eu sempre sou criticada por ser como eu sou. As pessoas dizem que enxergo um mundo cor-de-rosa que não existe.
- Eu não vejo o por quê de te criticarem por isso.
- A verdade é que não é bem assim. Eu apenas tento "brincar de contente".
- Pollyanna?
- É. Você conhece?
- Sim. Eu gosto muito desse livro.
- Eu nunca conheci alguém que tivesse isso em comum comigo.

E então ela sorriu.

Ela não me pediu nada. Ou ao menos, nada que eu não pudesse oferecer.
Sorriu como sempre. Sorriu com os olhos, como das tantas outras vezes em que a vi sorrindo, mesmo com tão pouco tempo. Mesmo com o fator "tempo" indo sempre contra nós.
Me pediu outro conselho, outro gole de cerveja. Me fez outra pergunta - Que diabo de menina curiosa!
Ela me trata como um enigma. E eu sei o que eu sou pra ela - Será?
Mas ainda não entendi o que ela é pra mim. Ou talvez até tenha entendido, mas prefiro ignorar.
Joga o cabelo de um lado pra outro, impaciente com a minha aparente calma. Puxa as pontas, enrola num coque. Prende e solta outra vez. Não consigo prestar atenção nela sem esboçar um sorriso bobo e essa evidência me incomoda.
Mais uma pergunta - Por que será que ela nunca se contenta com as minhas respostas?
Ela vai sorrir outra vez enquanto bebe outro gole de cerveja. E eu que já perdi a hora e o lugar, vou aceitar.