THERE'S NOTHING YOU CAN MAKE THAT CAN'T BE MADE.

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sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Em mim, o amor sempre vence

Quando pensei na minha mãe sorrindo, em sua breve e singela felicidade ao ter feito as compras do mês, percebi que dentro de mim estavam acesos os sentimentos mais belos que um ser humano pode trazer consigo.
Por mais que num ligeiro momento de infelicidade e frustração eu tenha me conectado à todas as sombras que eu, como ser humano comum possuo, reconheci o amor evidente em mim outra vez.
Depois do sorriso dela, me vieram todas as coisas que já me disse e que sempre me soavam bobas e fora de hora, como em cada uma das vezes em que ela me olhou e disse "Eu tenho uma filha tão maravilhosa" ou "Eu sou tão feliz por ter meus filhos".
Sua ingenuidade, já tantas e tantas vezes usada de forma abusiva por outras pessoas, me fazia lembrar o que é realmente um ser de luz. E ter nascido desse ventre, certamente me confortava.
Depois de minha breve imersão aos seus sorrisos, eu vi o meu irmão. Um garotinho caucasiano de olhos verdes, com bochechas que competiriam facilmente com qualquer lindo bebê famoso do Instagram.
Pensei em nossa última conversa, aquela que ele na qual me alertava de que o universo noturno é turbulento e esclarecia que por mais que tenhamos amigos, eles irão conosco até certo ponto e, talvez, para nossa intensa jornada, não estejam verdadeiramente ali. 
Por fim, eu imaginei o que o meu pai diria se estivéssemos conversando naquele momento.
Certamente, se eu despejasse meus questionamentos numa conversa entre nós, ele passaria horas e horas dissertando sobre como a vida nos direciona e sobre o fato de não ser sempre possível carregarmos todo mundo junto de nós.
Eu sabia que naquele momento eu poderia ligar. Eles me atenderiam, como sempre. Ficariam honrados em me ouvir falar. 

Mas eu escolhi me recordar de tudo o que aprendi até aqui, de todo o amor que me foi dado e me lembrar de que em mim, ele sempre vence.

quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Eu sou ambivalente

Ambivalente.

A ambivalência sugere fortes sentimentos de oposição. O prefixo, ambidestro, significa "ambos''.
O restante, em latis, significa "vigor".
A palavra sugere que você está dividida entre dois cursos opostos de ação.
Eu vou ficar ou vou sair? 
Eu sou sã ou eu sou louca?
É uma grande questão que você está enfrentando. A escolha da sua vida. Quanto você vai se afetar com suas falhas. Quais são suas falhas? Elas são falhas? 

Todo esse trecho vem do filme "Garota, Interrompida" pelo qual eu tenho particular afeição, mesmo não estando exatamente na mesma condição de Suzanna Kaysen, que possui um diagnóstico delicado e bastante específico.
O seu processo, como apontado no filme e também no livro, demonstra nela imensa incapacidade em se encaixar em uma vida que, de fato, ela ainda nem escolheu.
Estar dividida entre dois cursos opostos de ação é estar em eterno questionamento sobre o caminho a ser seguido.
É tentar analisar incansavelmente todos os pontos e, mesmo ao tomar uma decisão, perceber que ainda assim existe a leve curiosidade sobre como seria escolher outra coisa.
Quem eu quero ser? Como farei para me tornar essa pessoa? Eu estou em direção o que eu quis ou minha vida está tomando o rumo que as circunstâncias estabeleceram?
Esses últimos dias, enquanto passeava entediada e inquieta pelas minhas redes sociais, li uma publicação que mencionava a importância de não tentarmos nos encaixar. Identifiquei nisso um ponto bastante interessante e ligeiramente romantizado sobre a questão.
O fardo das pessoas que conhecem demais sobre si mesmas é a incapacidade de encontrar um único caminho. Conhecer demais sobre si mesmo é o grande fardo de se reconhecer em milhares de coisas que você sabe que se adequariam perfeitamente a uma vida que faz sentido pra você. Saber exatamente todas as formas que acionam seus próprios gatilhos, sentir tudo demasiadamente e reconhecer, inclusive, de onde vem cada um desses sentimentos, nos torna inteiramente confusos, dadas as infinitas possibilidades.
Estamos sempre em busca de sermos ainda mais fiéis ao que somos. E nos conectar com o que viemos para ser.
E eu ainda fui terrivelmente agraciada com o signo solar de peixes, ascendente e lua em gêmeos. 
Estou sempre dividida e sempre prestes a tomar uma decisão. 
Essa é a minha dádiva e também a minha maldição.

Eu nunca enxergo um caminho só.

quarta-feira, 29 de junho de 2022

Não sou

Existe a esquerda. Existe a direita.
Existe o centro e existe o todo.
E eu não sou nem um, nem outro.
Richard Bach escreveu certa vez: ''o pecado original é limitar o ser, não o faça"
Eu não acredito em pecado, mas acredito no ser
E ser quem sou, me faz ser quem?
Alguém?
Eu vou.
Não me encaixo em nada.
Já fui, não sou.
Quero ser quem nasci para me tornar.
E o tornado ambulante que sou ao me transformar.


sexta-feira, 10 de junho de 2022

Precisamos falar sobre como as redes sociais tratam uma pessoa traída

Mais um dia dos namorados segue batendo à porta.
Nas redes sociais, vemos todo o tipo de propaganda e interação que menciona essa data tão comercial.
Junto a isso, temos as infinitas páginas e usuários das redes que se utilizam de suas contas para atacar outras pessoas e fazê-lo com o batido argumento que fomenta a ''liberdade de expressão''.

De repente, em meio a tantas publicações exageradas e desnecessárias, temos as frases apelativas que zombam de pessoas que já sofreram uma traição.
As famosas ''com um print eu acabo com esse namoro'', ''no dia dos namorados vou ver corno (a) se declarando" e inúmeros conteúdos cujo o único objetivo é disseminar discórdia e ativar gatilhos.
Falo abertamente, pois muitas pessoas que fazem parte da minha vida hoje já sabem: Eu faço parte desse infeliz grupo que sofreu traição. E dentro desse contexto, eu afirmo: Isso não é piada. E não, não tem graça.
A pessoa traída perde o chão. Perde a confiança em si mesma apesar de ter em seu íntimo a certeza de que deu o seu melhor em incontáveis situações.
A pessoa traída sente vergonha de ter que passar por essa realidade - mesmo que não devesse. E o processo de digestão a esse fato custa um esforço grande todos os dias.
 
Então, da mesma forma em que não se deve tripudiar sobre uma doença psicológica, usar um artifício que desperte esses gatilhos em quem está ou já esteve nesse processo, é tão cruel quanto.
Repense.
Repense se você não está apenas compartilhando, repercutindo ou incitando esse tipo de discurso e ''brincadeira'' pelo simples fato de não estar conseguindo ter controle sobre sua própria vida.

Se ao publicar esse tipo de conteúdo, você não está tentando atacar casais ou situações nas quais no fundo, você realmente gostaria de estar inserido.
Deixe que as pessoas em seus respectivos relacionamentos se perdoem, se reconectem, aprendam com seus próprios erros e suas falhas.

E, se você se enxerga como um ser humano superior por ter em sua posse ''provas'' e detalhes íntimos sobre a vida de casal, seja ele qual for, isso só me mostra que você tem muito mais a evoluir.

quarta-feira, 1 de junho de 2022

Brilho eterno de rascunhos aleatórios de quem eu fui e não sou mais

Fui passear pela minha coleção de fragmentos e rascunhos. Textos que escrevi ao longo de todos esses anos, enquanto nem imaginava que te encontraria.
Me vi mais jovem, romantizando o fato de me envolver com pessoas tão absurdamente diferentes de mim. 
Percebi nas minhas eloquentes palavras a capacidade de ignorar coisas que eu julgava significativas e abafar vontades, numa tentativa desesperadamente falha de caber em espaços pequenos demais pra mim.
Estava constantemente apaixonada pela ideia de me apaixonar, de viver um amor que eu acreditava ser capaz de curar as minhas inquietações e tudo o que eu achava que existia de incoerente no meu íntimo, sem sequer compreender que a minha real intimidade sempre pertenceu somente a quem eu sou.


segunda-feira, 23 de maio de 2022

Será?

Quantas respostas cabem numa pergunta tão curta?
Eram tantas as certezas pré-estabelecidas, que quando me deparei com uma pergunta tão simples, já havia me perdido no contexto do que eu poderia ter respondido. Já havia esquecido quem era eu.
Quantas variáveis cabem num ''será''?
Quantas deveriam caber dentro da gente?
"Será" é tudo o que não foi e poderia ter sido. Ou o que pensamos não ser e de fato, é.
São todas as possibilidades que a gente ignora pra não enlouquecer. São todas as vontades que a gente reprime pra não padecer.
"Será" são todos os "quase", os "talvez", os "e se..."
Sugere um questionamento retórico. 
Parece até um insulto a minha inteligência, uma forma muito bem colocada de me fazer duvidar de tudo o que eu sempre achei que sabia. E o meu contato com toda a incerteza que sempre habitou dentro de mim.


quinta-feira, 24 de março de 2022

Cicatrizes

Cicatriz: Fechamento de lesão na derme provocada por acidente ou cirurgia. Quando acontece a ruptura da derme, o colágeno vai sendo remodelado de maneira que a lesão seja fechada até que haja a regeneração das células no local ferido, gerando uma marca.

Não somos nós quem definimos o tempo de cura das nossas cicatrizes. 
Toda vez que penso nas mais profundas desses últimos tempos, eu me lembro de perdoar as anteriores e de olhá-las com cuidado.
Aquelas cicatrizes que pareciam mortais, que foram criadas de forma tão intensa...
Hoje posso entendê-las melhor. E entender um pouco de quem ajudou a criá-las em mim.
E olho com tamanho entendimento que até me espanta. Entendimento esse que nunca me veio tão claramente. 
Eu nunca achei que fosse agradecer pela existência dessas cicatrizes, mas foram elas que me ajudaram a me sobressair quando eu caí de novo.

Sigo tentando cauterizá-las, mesmo sabendo que exigem de mim a paciência que eu também nunca tive.

A verdade é que nunca imaginei que uma cicatriz que sangrasse tanto, fosse a responsável por me fazer sobreviver.