THERE'S NOTHING YOU CAN MAKE THAT CAN'T BE MADE.

THERE'S NOTHING YOU CAN MAKE THAT CAN'T BE MADE.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

- Você sabe que eu te amo, né?
- Sei. Mas pouco. Muito menos do que eu amo você - Ele me respondeu, e eu senti o sorriso dele do outro lado da linha.

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Tatuagem

Sorrindo ele escolheu qual seria sua mais nova tatuagem, a tatuagem que registraria toda a ascensão profissional que vivera até ali, além de todo o aprendizado que viera até aquele momento. A tatuagem seria feita em troca de um de seus trabalhos.
Empolgado, ele começou a passar os olhos por todas as fontes possíveis de um site feito especialmente pra isso.
Eu olhei, no costume de continuar me metendo como se eu ainda tivesse direito sobre aquilo. Bati o olho na letra que pra mim, era perfeita - uma letra similar a de uma tatuagem que eu também tinha.
- Essa aqui! Acho linda! - Eu disse, animada. Sem saber se ele seguiria minha sugestão.
- Então é essa, moça! - Ele acatara minha escolha, mostrando a letra à tatuadora.

Eu sorri, surpresa.
- Você acatou assim? com essa facilidade? - Eu disse rindo, ainda surpresa por ter feito parte de uma decisão como essa. Uma decisão com tamanha representatividade.

Eu ainda era importante? Sim.
Então por que eu duvidara disso?

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

"O tempo perguntou pro tempo qual é o tempo que o tempo tem. O tempo respondeu pro tempo que não tem tempo pra dizer pro tempo que o tempo do tempo é o tempo que o tempo tem."

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Eu não quero conhecer o mundo sem você

A distância física nos aproximou de tudo o que deixávamos passar no nosso cotidiano tão cheio de nós.
Contraditoriamente, nos aproximou da nossa essência para que pudéssemos nos reconhecer.
A ausência me fez refletir todas as vezes que eu, por pura birra, quis acreditar que éramos incompatíveis demais para dar certo num contexto tão intenso - o contexto que nossa vida apresentava nas madrugadas de discussões tolas, ou de conexões que nos faziam acreditar na beleza do famoso ''pra sempre''.
Fazia planos e fugia deles. Voltava atrás voluvelmente. Tinha medo de levá-los adiante e me machucar - quanta covardia para uma mulher tão forte.
Quanto desperdício de tempo disputando com você quem de nós dois tinha mais razão. Quanta energia gasta em inseguranças que nunca se tornaram reais. Quantos atritos passionais causados pela falha na nossa comunicação.
E quanta gratidão por enxergar que nesse momento, como nunca, eu quero me doar para o agora com você. E se o seu agora for a minha espera, é onde eu quero estar - te ouvindo me dizer umas das frases que eu nunca mais vou conseguir esquecer: eu não quero conhecer o mundo sem você.

terça-feira, 2 de julho de 2019

Quanta saudade cabe na despedida que ainda não tivemos?

Eu olho para o relógio do meu celular sabendo que o tempo brinca comigo. Sei que vai correr nos segundos e minutos que vão te levar daqui para junto de uma digna realização profissional.
E sei também que vai se arrastar pra te trazer de volta.
O mesmo tempo que secretamente eu cultivava pra te deixar com saudade. O mesmo tempo que me arrancava de você nas manhãs das segundas-feiras.
E quantas segundas-feiras eu vou levar pra te ver mais uma vez?
Quanta saudade cabe agora na despedida que o meu coração está fazendo já desde a última vez que te viu, mesmo sabendo que ainda vai te ver de novo?
Quiçá no seu retorno, eu tenha me desconstruído, como sempre. Só pra reconstruir com você.
Quiçá eu aprenda a falar francês, ou descubra um gosto peculiar por tantos outros tipos de vinhos que existam pelo mundo.
Mas não para abusar. A saudade que eu já sinto vai me fazer me embriagar só de você.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Minha primeira junção de vogais e consoantes - O que compõe quem eu sou

Eu me lembro de ter começado relativamente cedo e aos poucos.
Fiz minha primeira junção de consoantes e vogais entre os 5 e 6 anos, em casa (na enorme área de serviço que eu usava para brincar), com giz de cera laranja, no verso de um envelope verde de cartão de natal.
Pela lógica do que eu havia visto em algum lugar, se eu unisse o P com o A, eu teria PA. O mesmo valia para o T unindo-se ao O. Logo, eu construía PATO.
Na minha ingênua simplicidade, eu fui adotando essa regra para tudo o que eu entendia como palavra possível. Pouco tempo depois, o outro lado do envelope já estava completamente tomado por inúmeras palavras similares: PATO, PATA, GATO, GATA, MATO, MATA, RATO, RATA, LADO. Eu incluía também os opostos femininos e masculinos das junções que eu acabara de construir. Era um modo de ter mais palavras para mostrar a quem quer que fosse.
Essa memória ficou gravada em mim porque nela eu tive uma das minhas primeiras experiências com a escrita. E nela, eu me sentia orgulhosa de mim.
Tão orgulhosa que na mesma semana, levei o tal envelope cheio de palavras para a casa da minha avó - o melhor lugar do mundo para mim naquela época - e exibi meu feito para todas as pessoas que  moravam ali.
Pode parecer tardia a minha experiência com a construção dessas palavras tão simples. Hoje em dia, especialmente, uma criança com bem menos que isso já sabe a funcionalidade de um computador, um celular ou um tablet. A maioria, inclusive, entra muito cedo na escola.
Eu me lembro de ir para a pré escola, me lembro do cheiro da sala de aula e de alguns rostos que consegui manter comigo até o final da adolescência. Mas eu não me lembro efetivamente das aulas e do que eu aprendia. Talvez por ser desde muito pequena o tipo de pessoa que vive presa no próprio mundo ou em qualquer planeta que não seja necessariamente este onde eu nasci.
Assim como a construção das palavras com giz laranja no envelope verde, quase toda a minha vida foi assim: recebendo orientações mas encontrando meu próprio momento para colocá-las em prática.


terça-feira, 28 de maio de 2019

Eu sei como é morrer de saudade

Eu já aprendi todos os macetes possíveis para abandonar o sentimento que, do meu ponto de vista, é o mais ingrato existente no convívio humano, presente até no ser menos expressivo e empático. Contraditoriamente, eu costumo dizer que a saudade é o único sentimento sem solução aparente, isso porque a saudade só se baseia em tudo o que já foi e não volta, na falta que não supre, no desespero de querer viver o que não existe mais.
Já aceitei, inclusive, que meu medo da morte não é a metástase, o óbito, o fim da vida. É só, de fato, o receio em não saber lidar com toda a saudade que eu já sinto só de ter longe quem eu amo, e todas as outras pessoas que amei um dia.
A minha saudade tem inúmeros rostos, nomes e expressões. E hoje eu também sei como é morrer por ela, como é morrer de saudade.