Se essa for a última vez, eu vou te deixar me fazer cócegas até que eu grite gargalhando, essa gargalhada que você julga tão gostosa. A gargalhada que você sempre se esforçou pra arrancar de mim e que, em todas as vezes, conseguiu.
Se essa for a última vez, eu vou te abraçar como se o meu corpo coubesse em você, como se dois corpos fossem perfeitamente capazes de ocupar o mesmo espaço.
Se essa for a última vez, eu vou te olhar do mesmo jeito que olhei em todas as vezes que você me explicou tudo o que eu não sabia. Se essa for a última vez, eu vou devorar todas as suas palavras e me deleitar com o mesmo cookie recheado que dividimos no nosso primeiro café.
Se essa for a última vez, eu vou te deixar distribuir todos os beijos que você adora me dar na testa, vou te deixar sentir que pode me proteger de tudo.
Se essa for a última vez, eu vou, de novo, segurar seu rosto nas minhas mãos como se o mundo inteiro fosse acabar no próximo segundo. Porque se essa for a última vez, você já vai ter fincado raízes em mim, depois de tantos sofrimentos confidenciados, depois de aprender o que em mim parece tão óbvio e as tantas outras coisas que nem todo mundo sabe.
Você vai ter feito morada em mim, vai se misturar ao que já trago comigo. E vai ter ido embora.
Porque essa poderia bem ser a última vez, mas não é.
segunda-feira, 4 de novembro de 2019
segunda-feira, 28 de outubro de 2019
quinta-feira, 24 de outubro de 2019
Qual é o seu lugar preferido no mundo?
Quando meu irmão publicou essa pergunta para movimentar seus stories numa rede social, eu fiquei parada olhando-a por alguns segundos. Eu não sabia o que responder.
Como eu poderia não saber essa resposta?
Me apavorei quando pensei em alguns possíveis lugares e ao notar que não gostava tanto de nenhum deles para escolher um e caracterizá-lo como o meu lugar preferido no mundo.
- Como eu posso não me conhecer a esse ponto? - Me questionei.
Continuei apática, tentando olhar pra dentro de mim e para compreender melhor sobre essa questão - e todas as outras que surgiam dela.
Percebi, de forma sutil, que eu não tinha um lugar de pertencimento. E eu já havia chegado a essa conclusão antes.
Eu me lembrava das madrugadas das últimas semanas em que me sentava na varanda do atual apartamento onde moro, para contemplar o céu e conversar com o que eu entendo por universo.
Me lembrava também de todos os fins de tarde onde fitei o mar e, de novo, por gratidão, conversei com o céu. Me lembrava das inúmeras vezes em que um pôr do sol tocou o meu coração e os meus pés junto da areia da praia.
Me lembrava também do café na Ana Rosa, que incluí nas minhas listas atuais como sendo o responsável pelo melhor chocolate quente de São Paulo. Ou, aquele outro café já desenhado em folhas avulsas de um caderno, com a melhor playlist que já ouvi para um lugar como esse.
Logo, cheguei à uma simples compreensão: passei por tantos lugares que escolher um só seria desonesto comigo, com tudo o que compõe a Julia que sou hoje, que traz consigo um pouco de cada história, de cada encontro, de cada instante dividido entre os espaços físicos que visito quase sempre e todos os outros para onde não posso mais voltar.
Sendo assim: Julia, qual é o seu lugar preferido no mundo?
Minha resposta hoje seria: Todos. E nenhum.
Como eu poderia não saber essa resposta?
Me apavorei quando pensei em alguns possíveis lugares e ao notar que não gostava tanto de nenhum deles para escolher um e caracterizá-lo como o meu lugar preferido no mundo.
- Como eu posso não me conhecer a esse ponto? - Me questionei.
Continuei apática, tentando olhar pra dentro de mim e para compreender melhor sobre essa questão - e todas as outras que surgiam dela.
Percebi, de forma sutil, que eu não tinha um lugar de pertencimento. E eu já havia chegado a essa conclusão antes.
Eu me lembrava das madrugadas das últimas semanas em que me sentava na varanda do atual apartamento onde moro, para contemplar o céu e conversar com o que eu entendo por universo.
Me lembrava também de todos os fins de tarde onde fitei o mar e, de novo, por gratidão, conversei com o céu. Me lembrava das inúmeras vezes em que um pôr do sol tocou o meu coração e os meus pés junto da areia da praia.
Me lembrava também do café na Ana Rosa, que incluí nas minhas listas atuais como sendo o responsável pelo melhor chocolate quente de São Paulo. Ou, aquele outro café já desenhado em folhas avulsas de um caderno, com a melhor playlist que já ouvi para um lugar como esse.
Logo, cheguei à uma simples compreensão: passei por tantos lugares que escolher um só seria desonesto comigo, com tudo o que compõe a Julia que sou hoje, que traz consigo um pouco de cada história, de cada encontro, de cada instante dividido entre os espaços físicos que visito quase sempre e todos os outros para onde não posso mais voltar.
Sendo assim: Julia, qual é o seu lugar preferido no mundo?
Minha resposta hoje seria: Todos. E nenhum.
segunda-feira, 7 de outubro de 2019
sexta-feira, 20 de setembro de 2019
terça-feira, 17 de setembro de 2019
Tatuagem
Sorrindo ele escolheu qual seria sua mais nova tatuagem, a tatuagem que registraria toda a ascensão profissional que vivera até ali, além de todo o aprendizado que viera até aquele momento. A tatuagem seria feita em troca de um de seus trabalhos.
Empolgado, ele começou a passar os olhos por todas as fontes possíveis de um site feito especialmente pra isso.
Eu olhei, no costume de continuar me metendo como se eu ainda tivesse direito sobre aquilo. Bati o olho na letra que pra mim, era perfeita - uma letra similar a de uma tatuagem que eu também tinha.
- Essa aqui! Acho linda! - Eu disse, animada. Sem saber se ele seguiria minha sugestão.
- Então é essa, moça! - Ele acatara minha escolha, mostrando a letra à tatuadora.
Eu sorri, surpresa.
- Você acatou assim? com essa facilidade? - Eu disse rindo, ainda surpresa por ter feito parte de uma decisão como essa. Uma decisão com tamanha representatividade.
Eu ainda era importante? Sim.
Então por que eu duvidara disso?
Empolgado, ele começou a passar os olhos por todas as fontes possíveis de um site feito especialmente pra isso.
Eu olhei, no costume de continuar me metendo como se eu ainda tivesse direito sobre aquilo. Bati o olho na letra que pra mim, era perfeita - uma letra similar a de uma tatuagem que eu também tinha.
- Essa aqui! Acho linda! - Eu disse, animada. Sem saber se ele seguiria minha sugestão.
- Então é essa, moça! - Ele acatara minha escolha, mostrando a letra à tatuadora.
Eu sorri, surpresa.
- Você acatou assim? com essa facilidade? - Eu disse rindo, ainda surpresa por ter feito parte de uma decisão como essa. Uma decisão com tamanha representatividade.
Eu ainda era importante? Sim.
Então por que eu duvidara disso?
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