Eu me lembro de ter começado relativamente cedo e aos poucos.
Fiz minha primeira junção de consoantes e vogais entre os 5 e 6 anos, em casa (na enorme área de serviço que eu usava para brincar), com giz de cera laranja, no verso de um envelope verde de cartão de natal.
Pela lógica do que eu havia visto em algum lugar, se eu unisse o P com o A, eu teria PA. O mesmo valia para o T unindo-se ao O. Logo, eu construía PATO.
Na minha ingênua simplicidade, eu fui adotando essa regra para tudo o que eu entendia como palavra possível. Pouco tempo depois, o outro lado do envelope já estava completamente tomado por inúmeras palavras similares: PATO, PATA, GATO, GATA, MATO, MATA, RATO, RATA, LADO. Eu incluía também os opostos femininos e masculinos das junções que eu acabara de construir. Era um modo de ter mais palavras para mostrar a quem quer que fosse.
Essa memória ficou gravada em mim porque nela eu tive uma das minhas primeiras experiências com a escrita. E nela, eu me sentia orgulhosa de mim.
Tão orgulhosa que na mesma semana, levei o tal envelope cheio de palavras para a casa da minha avó - o melhor lugar do mundo para mim naquela época - e exibi meu feito para todas as pessoas que moravam ali.
Pode parecer tardia a minha experiência com a construção dessas palavras tão simples. Hoje em dia, especialmente, uma criança com bem menos que isso já sabe a funcionalidade de um computador, um celular ou um tablet. A maioria, inclusive, entra muito cedo na escola.
Eu me lembro de ir para a pré escola, me lembro do cheiro da sala de aula e de alguns rostos que consegui manter comigo até o final da adolescência. Mas eu não me lembro efetivamente das aulas e do que eu aprendia. Talvez por ser desde muito pequena o tipo de pessoa que vive presa no próprio mundo ou em qualquer planeta que não seja necessariamente este onde eu nasci.
Assim como a construção das palavras com giz laranja no envelope verde, quase toda a minha vida foi assim: recebendo orientações mas encontrando meu próprio momento para colocá-las em prática.
segunda-feira, 10 de junho de 2019
terça-feira, 28 de maio de 2019
Eu sei como é morrer de saudade
Eu já aprendi todos os macetes possíveis para abandonar o sentimento que, do meu ponto de vista, é o mais ingrato existente no convívio humano, presente até no ser menos expressivo e empático. Contraditoriamente, eu costumo dizer que a saudade é o único sentimento sem solução aparente, isso porque a saudade só se baseia em tudo o que já foi e não volta, na falta que não supre, no desespero de querer viver o que não existe mais.
Já aceitei, inclusive, que meu medo da morte não é a metástase, o óbito, o fim da vida. É só, de fato, o receio em não saber lidar com toda a saudade que eu já sinto só de ter longe quem eu amo, e todas as outras pessoas que amei um dia.
A minha saudade tem inúmeros rostos, nomes e expressões. E hoje eu também sei como é morrer por ela, como é morrer de saudade.
Já aceitei, inclusive, que meu medo da morte não é a metástase, o óbito, o fim da vida. É só, de fato, o receio em não saber lidar com toda a saudade que eu já sinto só de ter longe quem eu amo, e todas as outras pessoas que amei um dia.
A minha saudade tem inúmeros rostos, nomes e expressões. E hoje eu também sei como é morrer por ela, como é morrer de saudade.
segunda-feira, 20 de maio de 2019
Sabedoria infantil - Um conto sobre o princípio itai doshin
Itai: diferentes em corpos
Doshin: única mente
Portanto, itai doshin significa: diferentes em corpos com um mesmo objetivo.
Já estávamos no encerramento, na parte final do ensaio do grupo Taiga - O grupo de dança do budismo.
Eu sei que pra você que não está inserido na soka gakkai (organização budista), visualizar um grupo de dança dentro do budismo pode parecer curioso, quiçá até engraçado. Mas nós trabalhamos coreografias comuns como jazz ou ballet. Nenhum tipo de coreografia complexa de dança japonesa.
Naquele momento, estávamos prontas para iniciar uma dinâmica com as meninas mais novas, algumas com diferença de vinte anos de mim.
A líder do grupo pediu que fizéssemos uma roda e, em seguida, pediu que formássemos duplas com as pequenas que tivessem algum traço físico parecido com o nosso.
As meninas mais novas, eufóricas com a atividade, segurando balões que haviam acabado de receber, nos escolhiam, sem nem ao menos nos dar muita chance para pensar. Elas pulavam em nossa direção, vinham correndo e sorrindo.
Lara me escolheu. Com toda a sua sabedoria de menina, o seu jeito sempre carinhoso de falar e o sorriso honesto enfeitando o rosto que já é tão bonito por si só - o que de imediato me causou intensa gratidão.
Mas ela não encontrara semelhanças gritantes entre nós. Veio comigo porque desde sempre se afeiçoou a mim. E eu sempre soube disso.
A essa altura, nós duas reparamos que a mecha antes colorida de nossos cabelos agora tinha um tom loiro claro desbotado. E foi essa a justificativa que demos quando perguntadas de nossas semelhanças.
Em seguida, a líder que aplicava a tal dinâmica agora pedia que fizéssemos o oposto, escolhendo meninas fisicamente diferentes de nós.
Mais uma vez, as pequenas, alvoroçadas, se misturavam entre si para tentar encontrar alguém que tivesse alguma diferença bastante óbvia. O que vi naquele salão após isso, me fez refletir naquele mesmo instante e depois.
As meninas mais novas estavam acompanhadas de suas duplas, que eram em sua maioria mais velhas.
Enquanto a líder perguntava a cada uma de nós quais eram as diferenças que notávamos, uma resposta me chamou a atenção.
Uma das pequenas, com rosto branco (caucasiano), segurava a mão de sua dupla mais velha, que era negra.
Quando finalmente perguntada sobre qual seria a diferença entre elas, sua resposta foi: o óculos, ela usa óculos e eu não.
Senti um aperto forte no peito enquanto todos riam com a mesma impressão que tive.
A pequena, do alto de sua sabedoria e inocência, enxergava somente os óculos de sua dupla como algo diferente.
Ela não mencionou os cabelos, não mencionou a cor da pele. Ela não fez nenhuma outra menção pelo simples fato disso não importar. O que ela compreendia claramente era que aqueles óculos as tornavam diferentes. E talvez apenas isso.
Essa foi a questão que me fez ter mais uma mera compreensão do óbvio: procuraremos semelhanças e tentaremos justificá-las, assim como isso também pode ocorrer em relação às diferenças.
Com quem queremos nos parecer? Quem são as pessoas que nos inspiram e quais são as pessoas que repelimos?
Quando falo itai doshin, quero dizer que podemos ser diferentes em corpos mas estamos unidos pela mente. E essa união é a existência de um propósito. Qual é a sua construção de si mesmo? E de que maneira busca isso?
A minha hoje, nesse exato momento do dia 20 de maio de 2019 é ser feliz. E construir felicidade.
Isso provavelmente se concretizou também naquela breve dinâmica, ao ver através do olhar de uma criança de 6 anos.
Doshin: única mente
Portanto, itai doshin significa: diferentes em corpos com um mesmo objetivo.
Já estávamos no encerramento, na parte final do ensaio do grupo Taiga - O grupo de dança do budismo.
Eu sei que pra você que não está inserido na soka gakkai (organização budista), visualizar um grupo de dança dentro do budismo pode parecer curioso, quiçá até engraçado. Mas nós trabalhamos coreografias comuns como jazz ou ballet. Nenhum tipo de coreografia complexa de dança japonesa.
Naquele momento, estávamos prontas para iniciar uma dinâmica com as meninas mais novas, algumas com diferença de vinte anos de mim.
A líder do grupo pediu que fizéssemos uma roda e, em seguida, pediu que formássemos duplas com as pequenas que tivessem algum traço físico parecido com o nosso.
As meninas mais novas, eufóricas com a atividade, segurando balões que haviam acabado de receber, nos escolhiam, sem nem ao menos nos dar muita chance para pensar. Elas pulavam em nossa direção, vinham correndo e sorrindo.
Lara me escolheu. Com toda a sua sabedoria de menina, o seu jeito sempre carinhoso de falar e o sorriso honesto enfeitando o rosto que já é tão bonito por si só - o que de imediato me causou intensa gratidão.
Mas ela não encontrara semelhanças gritantes entre nós. Veio comigo porque desde sempre se afeiçoou a mim. E eu sempre soube disso.
A essa altura, nós duas reparamos que a mecha antes colorida de nossos cabelos agora tinha um tom loiro claro desbotado. E foi essa a justificativa que demos quando perguntadas de nossas semelhanças.
Em seguida, a líder que aplicava a tal dinâmica agora pedia que fizéssemos o oposto, escolhendo meninas fisicamente diferentes de nós.
Mais uma vez, as pequenas, alvoroçadas, se misturavam entre si para tentar encontrar alguém que tivesse alguma diferença bastante óbvia. O que vi naquele salão após isso, me fez refletir naquele mesmo instante e depois.
As meninas mais novas estavam acompanhadas de suas duplas, que eram em sua maioria mais velhas.
Enquanto a líder perguntava a cada uma de nós quais eram as diferenças que notávamos, uma resposta me chamou a atenção.
Uma das pequenas, com rosto branco (caucasiano), segurava a mão de sua dupla mais velha, que era negra.
Quando finalmente perguntada sobre qual seria a diferença entre elas, sua resposta foi: o óculos, ela usa óculos e eu não.
Senti um aperto forte no peito enquanto todos riam com a mesma impressão que tive.
A pequena, do alto de sua sabedoria e inocência, enxergava somente os óculos de sua dupla como algo diferente.
Ela não mencionou os cabelos, não mencionou a cor da pele. Ela não fez nenhuma outra menção pelo simples fato disso não importar. O que ela compreendia claramente era que aqueles óculos as tornavam diferentes. E talvez apenas isso.
Essa foi a questão que me fez ter mais uma mera compreensão do óbvio: procuraremos semelhanças e tentaremos justificá-las, assim como isso também pode ocorrer em relação às diferenças.
Com quem queremos nos parecer? Quem são as pessoas que nos inspiram e quais são as pessoas que repelimos?
Quando falo itai doshin, quero dizer que podemos ser diferentes em corpos mas estamos unidos pela mente. E essa união é a existência de um propósito. Qual é a sua construção de si mesmo? E de que maneira busca isso?
A minha hoje, nesse exato momento do dia 20 de maio de 2019 é ser feliz. E construir felicidade.
Isso provavelmente se concretizou também naquela breve dinâmica, ao ver através do olhar de uma criança de 6 anos.
sexta-feira, 10 de maio de 2019
E se eu estiver indo pelo caminho errado?
Eu acho que você já se perguntou isso algumas dezenas de vezes, assim como eu que com 27 anos não tenho nenhum sonho pelo qual eu lute incessantemente.
Objetivos tenho. Um bocado deles. Todos, inclusive, escritos em caneta esferográfica preta no post it rosa que fiz questão de pendurar na minha mesa de trabalho, já que não posso pendurar na minha própria testa ou marcá-los para sempre na minha pele.
Eu acho que você já quis desligar o computador do escritório e sair sem avisar que estava voltando pra casa para se trancar no quarto.
Eu acho que você já olhou para todos os enfeites da sua sala de estar e se perdeu no meio de todas as lembranças que te trazem a pessoa que foi um dia. E eu acho que você já quis encontrar suas respostas numa letra de música, assistindo o de pôr do sol no seu horizonte particular, ou num copo de um destilado barato.
Eu acho que você já se viu se desconstruindo dos ambientes que frequentava, dos lugares que visitou e daqueles para onde já determinou que não voltaria nunca mais.
Eu acho que você já quis que as coisas fossem diferentes e, depois, agradeceu por terem acontecido exatamente como aconteceram. Eu acho que você já sentiu que poderia de fato estar indo pelo caminho errado.
E sei, que assim como eu, também já deve ter abandonado a ideia de ''certo x errado'' para ser, antes de mais nada, feliz. Para entender que os seus caminhos são somente seus.
Objetivos tenho. Um bocado deles. Todos, inclusive, escritos em caneta esferográfica preta no post it rosa que fiz questão de pendurar na minha mesa de trabalho, já que não posso pendurar na minha própria testa ou marcá-los para sempre na minha pele.
Eu acho que você já quis desligar o computador do escritório e sair sem avisar que estava voltando pra casa para se trancar no quarto.
Eu acho que você já olhou para todos os enfeites da sua sala de estar e se perdeu no meio de todas as lembranças que te trazem a pessoa que foi um dia. E eu acho que você já quis encontrar suas respostas numa letra de música, assistindo o de pôr do sol no seu horizonte particular, ou num copo de um destilado barato.
Eu acho que você já se viu se desconstruindo dos ambientes que frequentava, dos lugares que visitou e daqueles para onde já determinou que não voltaria nunca mais.
Eu acho que você já quis que as coisas fossem diferentes e, depois, agradeceu por terem acontecido exatamente como aconteceram. Eu acho que você já sentiu que poderia de fato estar indo pelo caminho errado.
E sei, que assim como eu, também já deve ter abandonado a ideia de ''certo x errado'' para ser, antes de mais nada, feliz. Para entender que os seus caminhos são somente seus.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019
Moça, sai da sacada. Você é muito nova pra brincar de morrer...
- Se eu descobrisse que tenho uma doença terminal no cérebro, o que você faria?
- Que brincadeira feia, amiga! - Ele retrucou - Mas se tivesse, eu te levaria para a disney.
Eu ri. Era bem a cara dele ter esse tipo de plano. De todos os lugares do mundo que ele poderia ter em mente, pensou justo na disney - e eu tinha uma vaga ideia do por quê.
- Mas e se eu é que tivesse uma doença? Um câncer no estômago? - Ele agora invertia as possibilidades.
- Eu te levaria pra conhecer lugares diferentes, te levaria pra viver coisas novas - Eu respondi.
De repente, enquanto nos olhávamos com seriedade, notamos o quão macabras eram essas possibilidades.
- Por que é que só estamos pensando em viver essas experiências novas condicionados à uma ideia possível de morte? - Eu questionei.
Ele me olhou surpreso, com os olhos arregalados por trás do óculos redondo.
Finalmente percebi que a morte é romantizada e superestimada pela raça humana.
Nós vislumbramos a morte como a possibilidade de dizer um último adeus, de nos despedir adequadamente da vida com qualquer diagnóstico galopante.
Na grande maioria das vezes, recuamos de sonhos que julgamos como mirabolantes, enfatizamos questões fúteis e deixamos de dizer o que precisaria ser dito.
Temos pressa. E, contraditoriamente, temos medo.
A raça dominante no mundo, é a raça que mais o degreda e que mais o teme. Essa é a grande ironia.
Quase tão grande quanto a ironia de repudiarmos atitudes que vamos repetir. Quase tão grande a ironia de não valorizar quem amamos em vida, para que possamos lamentar sua perda no futuro.
A vida em si deveria ser mais valiosa que o fim dela.
"Moça, sai da sacada. Você é muito nova pra brincar de morrer." - já dizia o poeta Léo Ramos.
- Que brincadeira feia, amiga! - Ele retrucou - Mas se tivesse, eu te levaria para a disney.
Eu ri. Era bem a cara dele ter esse tipo de plano. De todos os lugares do mundo que ele poderia ter em mente, pensou justo na disney - e eu tinha uma vaga ideia do por quê.
- Mas e se eu é que tivesse uma doença? Um câncer no estômago? - Ele agora invertia as possibilidades.
- Eu te levaria pra conhecer lugares diferentes, te levaria pra viver coisas novas - Eu respondi.
De repente, enquanto nos olhávamos com seriedade, notamos o quão macabras eram essas possibilidades.
- Por que é que só estamos pensando em viver essas experiências novas condicionados à uma ideia possível de morte? - Eu questionei.
Ele me olhou surpreso, com os olhos arregalados por trás do óculos redondo.
Finalmente percebi que a morte é romantizada e superestimada pela raça humana.
Nós vislumbramos a morte como a possibilidade de dizer um último adeus, de nos despedir adequadamente da vida com qualquer diagnóstico galopante.
Na grande maioria das vezes, recuamos de sonhos que julgamos como mirabolantes, enfatizamos questões fúteis e deixamos de dizer o que precisaria ser dito.
Temos pressa. E, contraditoriamente, temos medo.
A raça dominante no mundo, é a raça que mais o degreda e que mais o teme. Essa é a grande ironia.
Quase tão grande quanto a ironia de repudiarmos atitudes que vamos repetir. Quase tão grande a ironia de não valorizar quem amamos em vida, para que possamos lamentar sua perda no futuro.
A vida em si deveria ser mais valiosa que o fim dela.
"Moça, sai da sacada. Você é muito nova pra brincar de morrer." - já dizia o poeta Léo Ramos.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
Eu quero dividir o meu pai com você
Porque hoje eu sei que o seu te falta. E que se ele puder te enxergar com os olhos do coração, além de todo o transtorno de saúde e os inúmeros medicamentos, ele terá por você a admiração que vejo no sorriso do meu.
Eu quero dividir o meu pai com você porque eu sei que ele vai reconhecer em ti a mesma força que me ensinou a ter na vida, o mesmo amor pelo qual eu nasci e fui criada. Eu quero dividir o meu pai com você porque você já tem sobrinhos, tios, padrasto e irmãos, mas nenhum deles pode suprir qualquer falta que ainda esteja entranhada no teu coração tão belo.
Eu quero dividir o meu pai com você. Sem que você me peça isso, sem que se obrigue a aceitar. Apenas como o consolo de entender que a tua boa sorte me trouxe até aqui, e a minha vai te levar até ele. E até o seu. Porque, se os dois tem logradouro na mesma cidade, que coincidência maior o universo poderia colocar no nosso caminho?
Se você aceitar, você será a minha irmã. Você só terá o que já te de mim. Se você quiser vir comigo, é só me dizer. Basta uma palavra.
Eu vou adorar dividir o meu pai com você.
Eu quero dividir o meu pai com você porque eu sei que ele vai reconhecer em ti a mesma força que me ensinou a ter na vida, o mesmo amor pelo qual eu nasci e fui criada. Eu quero dividir o meu pai com você porque você já tem sobrinhos, tios, padrasto e irmãos, mas nenhum deles pode suprir qualquer falta que ainda esteja entranhada no teu coração tão belo.
Eu quero dividir o meu pai com você. Sem que você me peça isso, sem que se obrigue a aceitar. Apenas como o consolo de entender que a tua boa sorte me trouxe até aqui, e a minha vai te levar até ele. E até o seu. Porque, se os dois tem logradouro na mesma cidade, que coincidência maior o universo poderia colocar no nosso caminho?
Se você aceitar, você será a minha irmã. Você só terá o que já te de mim. Se você quiser vir comigo, é só me dizer. Basta uma palavra.
Eu vou adorar dividir o meu pai com você.
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