THERE'S NOTHING YOU CAN MAKE THAT CAN'T BE MADE.

THERE'S NOTHING YOU CAN MAKE THAT CAN'T BE MADE.

segunda-feira, 7 de março de 2016

"Quando se é jovem, como ela, algumas semanas podem representar uma pequena eternidade. Estou morrendo de medo que, nesses dias que não a vi, ela tenha mudado completamente." — Tristan.

Trecho: A menina sem qualidades.

terça-feira, 1 de março de 2016

DespertaDOR

Minha vida desperta, todos os dias. Outra vez.
Toma de mim tudo o que era meu. Tudo diverge entre si. E eu me perdi de novo.
O alarme me acorda. Eis o mal de acordar para um pesadelo, e não DE um pesadelo. Que é a vida real.
Nesse tom acinzentado. Lá fora tudo tem essa mesma cor. Esse aspecto triste de uma vidinha alheia e espiritualmente pobre. Nada se aprende. Nada se ensina. Tudo se desassocia. Acho até que perdi a fé.
Não sou mais tão bonita. E agora acho que nunca fui.
Não sou mais eu. E não sou nada.
Meus sonhos são cenas distorcidas de filmes que eu já vi, de coisas que eu já vivi. Que foram minhas e agora não me pertencem.
Minha vida desperta. E com ela, a dor do despertar. Esse despertar sem anseios.
O despertador humano de todos os invernos. E verões. E outonos.
Porque já não cabe primavera dentro de mim.


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Quando eu era menina...

Quando eu era menina, o meu sonho - aquele grande e imensurável sonho - era ter a minha mãe de volta, completa, inteira, com tudo o que diziam fazer parte das verdadeiras características dela. Passei anos a fio rezando todas as noites, pedindo a tudo o que eu acreditava, que a trouxesse de volta, feito um milagre. Pra que eu a conhecesse, pra que ela me conhecesse. Pra que me ensinasse, pra que me amasse, ou apenas se lembrasse de mim.
Por merecimento da vida, ou por mero acaso - o que eu duvido muito - ela retornou a mim. A nós. Voltou a tona de uma doença que consumiu sua consciência por exaustivos sete anos.
Venceu mais uma porção de desafios, como era de se supor que ela faria.
Voltou a tempo de aturar minhas crises adolescentes, meu gênio contrário, meu mal-humor. Voltou sendo obrigada a se reconstruir, e recomeçar. Voltou a tempo de se apaixonar pelo mesmo homem.
E voltou, pra ser a guerreira que todos diziam que ela fora desde então.

Mas... lamentavelmente, voltou pra ser destratada em empregos ingratos, de pessoas que jamais seriam metade de tudo o que ela foi - e ainda é.
Voltou pra ser obrigada a ouvir piadinhas a seu respeito. Voltou pra ser hostilizada por pessoas mal-educadas, mal-amadas, mal-resolvidas. Voltou pra ouvir que sua presença no ambiente profissional não fazia qualquer diferença. Voltou pra ter medo de se reportar aos seus superiores, no receio de sofrer possíveis represálias.
Voltou pra tentar executar um trabalho que nunca fora visto pelas pessoas ali como algo grandioso.

Voltou pra resistir à vontade de ir novamente.

De todas as poesias que eu poderia escrever para expressar o meu amor, de todos os perdões que eu deveria pedir todas as vezes em que me excedi e perdi a paciência, de todas as músicas compostas por ela que aprendi a tocar, tudo o que posso fazer hoje por ela é agradecer e lamentar.

Agradecer: Por um novo ciclo. Por vê-la se afastando de pessoas baixas e pequenas. Por estarmos juntas e sermos uma pela outra.

Lamentar: As pessoas que mencionei, essas tantas que já a destrataram, perderam a chance de ter por elas a pessoa maravilhosa que minha mãe é. E perderam a chance de aprender com ela o que é respeitar o ser humano, acima de tudo, pois eu sei, que ela me criou pra nunca maltratar a mãe de ninguém.


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Agonizando. De vez em quando.

Eu sofro de gastrite nervosa.  Sofro de estresse crônico. De uma gripe que adquiri com 12 anos e nunca mais curei.
Eu sofro de traumas leves. E dores pesadas.
Eu sofro de ausência. De saudade. De temer ser quem quer que eu seja, só pela metade.
Eu sofro de sinusite. De rinite. De todos esses “Itis” que cercam a minha geração.
Eu sofro de pensamentos nocivos, que cobrem o lado bom da vida, de vez em quando.
Eu sofro de invasão. E sofro de solidão.
Eu sofro de ser só eu. E ser tantas. E todos, ao mesmo tempo.
Eu sofro problemas que nem sempre são meus.
Sofro de ansiedade e agonia.

Porque é um sofrimento só meu, que me mostra um pouco de vida estremecida.

Eu sofro de viver agonizando, de vez em quando.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Redirecionamento

Acho que te fiz promessas demais. Eu e você nos prometemos coisas que não sabíamos que não poderíamos cumprir.
Transmitimos um apoio mútuo, e nos seguramos um ao outro até o momento em que isso realmente nos cabia. Nos seguramos para manter intacto um afeto que já não é visto como prioridade por nenhum de nós. E eu me sufoco por não te escrever isso com tristeza, com angustia ou com um pingo sequer de raiva. Eu me culpo por não sofrer e por simplesmente aceitar que você estava disposto a ir, com um pé já na estrada, e que eu me vi disposta a deixar, sem me preocupar com a volta - se é que um dia ela de fato existiria.
Agora eu sei. A vida me mostra e mostrou todos os dias ao longo desses últimos meses, que o meu papel no seu mundo foi te fazer enxergar quem você realmente era, além do que o espelho poderia lhe mostrar. O seu papel, por outro lado, foi bem mais claro e óbvio: Me ajudar a não enlouquecer, quando tudo o que diziam de mim poderia já expor a louca que eu era e a tamanha besteira que você fazia se deixando ser o meu melhor amigo.
E a nossa parte na vida um do outro ficou pra trás. Como me disseram que ficaria. Como pra outros, muito antes, também ficou. Eu já te livrei há muito tempo de me curar dos meus acessos de menina. Agora, eu sei que os controlo por mim mesma.

Sei também, que inegavelmente, sempre fui apenas por mim, sem ter ninguém que me carregasse.
E isso me basta daqui em diante.


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Hoje eu quero falar de saudade

Hoje eu quero me deixar pra lá, pra dedicar o meu tempo à essa saudade que eu sufoco todos os dias com a rotina.
Hoje eu quero lembrar da tua voz, do jeito carinhoso de chamar pelo meu nome.
Hoje eu quero lembrar do teu abraço e chorar a falta dele feito criança sentida.
Hoje eu quero lembrar das tuas mãos, das tuas piadas, das tuas roupas, da tua coleção de relógios.
Quero calar meu coração, que vem te chamando em pensamento há meses.
Quero me desculpar pela imaturidade de antes. E quero que daí - de cima - você enxergue que eu cresci, e se orgulhe. Quero te pedir que me ajude a ser forte e resistente, com o mesmo sorriso terno que você usava pra se livrar das frustrações da vida.
Quero a sua proteção.
Quero poder dizer o teu nome sem sentir meu peito pesar. Quero poder dizer um saudável adeus.
Quero colocar a tua foto ao lado da minha cama, mais uma vez, e olhar pra ela pensando que eu queria - mais que qualquer outra coisa - voltar no tempo só pra ter a tua presença por mais um dia.

Julian Rubens Manchon Lahuerta. ♥

terça-feira, 27 de outubro de 2015

O amor da vida dela - depois de você

Você me fez um grande favor em desistir dela. Ela, que vivia presa numa redoma de vidro, incapaz de se libertar dos teus padrões morais completamente hipócritas e forçados. Ela, que se dizia dona da própria verdade e que em questão de semanas se tornou ridiculamente adestrada por você e a sua criação de impositores baratos de opinião. Ela, que deixou os sonhos hibernarem por medo da sua estupidez. Ela, que só não deixou os mesmos sonhos morrerem porque encontrou com quem dividi-los no momento em que você já se sentia o dono dela e da sua verdade. Você me fez um grande favor destruindo seu relacionamento de plástico. Tenho a plena certeza de que se não fosse assim, ela jamais me olharia com a esperança de que eu pudesse mudar as coisas. Devo lhe dizer: Ela é mais feliz ao meu lado, sim. Devo assumir: Eu a quis desde o primeiro momento em que pus os olhos nela. Devo esclarecer: Ela era tudo o que eu sabia que poderia ser. E foi o que eu também quis ser pra ela, enquanto ela lamentava sua falta de atenção ou de entendimento mínimo. Ela, que era a guerreira que você quis transformar em princesa frágil. Ela, que buscava o auto conhecimento do ser, enquanto você se afogava em seu materialismo medíocre. Ela, que foi e sempre será pra mim, o que jamais teria sido pra você. E você a perdeu, muito antes que eu pudesse roubá-la de você. Corra e conte aos seus amigos, mais uma vez, que você me fez um grande favor em desistir dela. Carinhosamente, O amor da vida dela - o verdadeiro - depois de você.