THERE'S NOTHING YOU CAN MAKE THAT CAN'T BE MADE.

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sábado, 6 de agosto de 2011

Impasse

Eu via e insistia, mas cada parte de mim se esforçava a me dizer que havíamos de fato chegado ao ponto crítico. Agora, já não era apenas a falta de tempo que nos impedia, era justamente o oposto a isso; o ócio em notar que já não lidávamos tão bem com a presença um do outro.
Eu, que já havia sido tão mais expressiva e criativa, já não conseguia pensar em algo que pudesse me inspirar. Ele, que sempre tão preocupado, me deixara notar inconscientemente que sua paciência chegara ao limite.
Não era preciso que terceiros me informassem sobre o que estava ocorrendo, afinal, eu mesma sabia explicar.
Nosso tempo juntos se tornou farto, exaustivo. E mesmo quando eu relutava para manter o encanto por ele, sabia que nada mais restaria se ele mesmo não soubesse me ajudar a fazê-lo.
E como proceder? Como dizer a ele que seu péssimo humor passara a afetar minha concepção em relação ao nosso próprio futuro? Como seria eu capaz de fazê-lo enxergar o óbvio que existia além dele, e de nós?
Como eu poderia ser tão egoísta em me sentir amarga por um sentimento no qual depositei tanta esperança?

Não havia o que pudesse ser feito, fora talvez o fato de apenas esperar e hesitar novamente, até que ele mesmo se desse conta de que meus olhos não brilhariam mais com a mesma intensidade do momento em que iniciamos.

E foi nesse primeiro impasse, que tomei a coragem pra desistir de nós dois...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Parte de uma história real

Sentaram-se ao lado um do outro, na escura sala de cinema.
Falavam banalidades, que logo foram ofuscadas pelo olhar confuso que ambos transmitiam.

- Eu vi. Vi nas cartas. Você tem em si um talento que vai impulsioná-lo, e você vai conseguir - Disse ela, calmamente.
- Por favor, não fale disso. Eu não tenho nada, não sou nada - Disse ele, virando o rosto para baixo, como quem se sente vergonhado.
- Hey, não! Me escuta, você tem um destino maravilhoso pela frente. Eu acredito nisso! Eu acredito em você! - Disse ela, alterando a voz em tom alto; colocando as mãos sobre o rosto dele, que deixara escorrer uma lágrima.
- Não sei se posso. Não sei se consigo - Respondeu ele, com os olhos claros molhados.
- Você pode e vai! Confio nisso! Não se esqueça que estou aqui agora, e estarei na primeira fileira dos seus espetáculos - Disse ela com total convicção.


Eu me lembro exatamente do que você disse, como disse, e a sua respiração ao dizer.
Você vai chegar lá. Nós vamos chegar lá!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Um lugar nosso...

Seguimos pela longa estrada, que refletia em seu horizonte o sol poente.
Mesmo com a responsabilidade em manter firme a direção do volante, ele em poucos momentos deixara de me dar a mão.
Ao chegarmos, nos deparamos com um céu azul-marinho repleto de estrelas, que nos pareciam estar mais próximas do que nunca. O centro da cidade por onde passamos era animado, enfeitado por intermináveis lojas e o cheiro de maresia, sentido há quilômetros de distância.

Ele passara pelas ruas me mostrando cada detalhe que lhe parecesse familiar. Apontava determinados lugares e eu me mantinha apenas sorridente, como era de se esperar, visto que estava em um lugar ao qual jamais havia visitado.
Rodamos por pequenas estradas próximas a praia e finalmente paramos em nosso destino. Uma casa bela e acolhedora, com pessoas que nos receberam empolgadas.
Passamos vagos minutos em conversas tranqüilas, e a noite se estendeu até que estivéssemos sozinhos na rede, cuja qual nos serviu para que pudéssemos nos sentir mais próximos fisicamente, e assim expressar todo e qualquer carinho.
O cansaço era tanto que mal conseguimos manter os olhos abertos para assistir a um filme. Despertado de seu cochilo, ele me chamou calmamente com simples sussurros para que fossemos nos deitar em nosso quarto.
Passamos um longo tempo deitados na mesma cama. Ele se virara em direção às minhas costas, me abrando firme em uma espécie de concha. Assim permanecemos, até que eu decidisse ir para minha cama, que ficava ao lado, para que não fosse desrespeitoso com seus pais, que tanto nos pareciam prezar.

A satisfação por acordar sabendo que o tinha ao meu lado era tamanha que mal tive tempo para pensar se estava realmente acordada, ou ainda sonhando.
Me dirigi até ele, que logo me deu espaço para que eu me deitasse ao seu lado. E nesse momento, foi a minha vez de abraçar suas costas firmemente e lhe transmitir a mesma segurança que ele me passara na noite anterior.
Logo após levantarmos e tomarmos nosso café-da-manhã decidimos ir até a praia.
O sol escaldante nos sufocava em meio ao enorme calor que se formava na região. Ele caminhava junto a mim sob a água clara e morna do mar, segurando-me pela mão direita.
Passamos parte de nossa manhã subindo por imensas pedras que encontramos na divisa de uma praia para a outra. Ele seguia na frente, mas sempre com muito cuidado, me dando assistência para que eu não me desequilibrasse ou escorregasse e caísse.
Em alguns momentos, deixávamos de simplesmente escalar as enormes pedras da praia para apreciar a paisagem linda que se fazia por ali. Uma paisagem a qual eu jamais havia visto igual.
Após tomarmos um refrescante banho de mar, voltamos a caminhar em direção à casa onde os pais dele nos aguardavam para fazer a próxima refeição. Entramos na piscina, e logo notamos a tarde chegar, deixando a água ligeiramente gelada. Dividíamos o mesmo colchão flutuante, e eu sorria incansavelmente, ao mesmo tempo em que o notava e fitava o quão lindo ficara seu semblante enquanto mantinha os cabelos escuros molhados.
O achara bonito em todos os sentidos, e até mesmo quando ele insistia em não aparecer em fotos por conta de uma baixa auto-estima.
Não poderíamos permanecer mais que alguns minutos, e logo arrumamos nossas malas para seguirmos novamente rumo à cidade grande.

Músicas antigas e melodias marcantes que nos acompanhavam em meio a estrada.
Eu mantinha minhas mãos firmes na nuca dele, e conversávamos calmamente durante o percurso. Ele dançava sentado ao banco do carro enquanto dirigia, em sua maneira divertida e engraçada de se mover, e fazia-o propositalmente apenas para me fazer gargalhar.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Sem hipocrisia

Queria poder lamentar, ou simplesmente dizer que não os vejo de forma tão ridiculamente infantil. Mas, infelizmente isso já não me cabe.
Essa tal hipocrisia me causa ânsia, e uma ligeira agonia.
E qual é a razão específica pra que isso se ocasione? É simples e trivial...eu não posso controlar o que sinto, e especialmente o que penso em relação aos outros e a mim mesma.
Cometi erros, e em sua grande maioria se trataram de erros incorrigíveis e inaceitáveis. Seria argumentar banalmente que os fiz apenas por agir como ‘um ser humano que erra’. A verdade é que eu tinha escolhas, e em um determinado momento agi impulsivamente, respeitando somente aos meus desejos e ignorando qualquer sentimento que eu fizesse surgir em todas as pessoas das quais me aproximei.
Outra banalidade seria me desculpar, visto que por mais de uma vez o fiz e não tive qualquer resultado positivo quanto a isso. Em alguns momentos recebi indiferença, e em outros, um falso ‘perdão’ que em seguida foi criticado pelos mesmos que diziam se importar com o que quer que eu pensasse.
Então, considerem que nesse exato momento tive meu breve surto de realidade e estou aqui apenas para dar meus parabéns e bater palmas à toda essa falta de ética que insiste em me perseguir.

Palmas à você que arrumou argumentos pouco convincentes pra me criticar, só porque também não conseguiu viver sua historinha frenética de amor comigo, e por isso passa parte de seu tempo livre me definindo com inúmeros adjetivos pejorativos.

E, é claro, palmas a mim mesma por saber me desvencilhar de uma atitude desse gênero e tomar por certa a escolha que fiz quando aceitei amar quem atualmente eu amo, pois há uma divergência gritante de amar um homem ao invés de um simples ‘garoto’.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Questão

Seguiu-se o peso de um breve silêncio, antes que ela tomasse coragem suficiente para perguntar-lhe o que tanto ansiou por ouvir.
Ali, os corpos semi-nús, molhados com o ardor da chuva, agora se recostavam um sob o outro. Ela o fitava, calada, enquanto ele tentava lhe arrancar pouco que fosse do seu mistério repentino, com brincadeiras e piadas que não lhe faziam sentido algum. Até notar que a fisionomia dela agora mudara.

- Tenho que lhe fazer uma pergunta.
- Faça.
- Não sei se é conveniente.
- Algum problema?
- Problema nenhum.
- Então me diga o que te aflige.
- É uma pergunta banal. Sei que vou me arrepender de perguntar.
- Então diga logo, não verei mal em responder.
- O que você sente por mim?
- O que eu sinto? Sinto que gosto de você. É, realmente, gosto. Acho que é gostar. Sim, deve ser isso.
- Gosta?
- Gosto, gosto sim. E você? O que sente?
- Sinto que também gosto de você.
- Será que é somente isso, mesmo? Acredito que é algo mais. Estou certo?
- Não, não está. Te disse que atualmente me controlo o suficiente pra não me ‘apaixonar’ com tanta facilidade, e isso é fato.
- Entendo. Só não se esqueça que sentimentos assim nós não somos capazes de controlar.
- Eu sei, mas consigo. Sou teimosa.
- É sim, muito teimosa.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Um relicário...

De todos os mais puros sorrisos, me fascina com apenas um gesto.
Mal sabe que usando meu medo pouco convencional, tornou-se pra mim o que qualquer outro raramente seria.
Mal sabe que seu descaso muito me assusta, mostrando que nem sempre é como eu gostaria, ou que posso ser exatamente o que eu realmente queria.
Mal sabe que sua voz me acalma, e me cala como nenhuma outra. Mal sabe que tira inconscientemente meus pés do chão, e me segura quando me falta o mínimo de convicção.
Me nota de maneira diferente, como nenhum outro se permite notar, por saber, mesmo sem querer acreditar, que no fundo sou dele.


O que está acontecendo?
O mundo está ao contrário e ninguém reparou;
O que está acontecendo?
Eu estava em paz quando você chegou

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Quase um erro

- Sei que cometi um erro. Sei que não deveria tê-lo feito, mas não coloque o peso de toda essa situação nas minhas costas.
- Eu confiei em você.
- Sei disso.
- Confiei que você manteria o respeito que sempre disse ter por mim.
- Eu continuo mantendo. Você estava lá, viu que eu não a beijei, que eu não queria tocá-la. Não sei o por quê daquilo, e nem ao certo o que houve.
- Eu sei exatamente o que vi.
- Você me viu influenciado pelo efeito do álcool.
- Vi você agindo como se eu não estivesse ali. Não tente se justificar. Estou desapontada.
- Não fique.
- Pensei que você valesse realmente à pena.
- Eu de certo ainda valho.
- Não tenho tanta certeza quanto a isso.
- Me escuta! Olha pra mim.
- Tira as mãos do meu rosto. Não quero te olhar.
- Quer sim, olha aqui. Eu continuo tão encantado por você quanto de início, e desejo que sua concepção em relação a mim permaneça a mesma de antes.
- Estou com medo.
- Medo de que?
- De me apaixonar por você.
- Por que?
- Porque sinto que isso ainda vai me ferir, o suficiente pra eu me arrepender.
- Não se arrependa de me dar uma segunda chance...