THERE'S NOTHING YOU CAN MAKE THAT CAN'T BE MADE.

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terça-feira, 22 de maio de 2018

Esse é um texto feliz sobre uma pessoa triste

Hoje te vi na rua.
Depois de longas semanas sem sequer cruzar o seu caminho. Eu me virei na sua direção para te dizer oi. Você acenou com a cabeça, se mantendo sério, como se fosse esforço demais ser agradável logo pela manhã.
E percebi, naquele momento, que eu já não sentia meu coração palpitando, eu já não sentia náuseas, eu já não sentia euforia. Eu já não sentia nada.
Eu te olhei e para minha surpresa, você não tinha nada de especial. Não brilhava e já não era mais atraente. Você era parte da paisagem. Era igual a todos os outros que atravessariam a avenida. E era triste.
A sua feição - parcialmente escondida atrás do óculos de sol - demonstrava a insatisfação em estar ali.  Talvez em me ver, talvez em acordar cedo, talvez em ter a vida que tem. E eu percebi isso com clareza, sem me martirizar. Eu conclui isso com a plenitude de não ser impactada por nenhuma das suas reações - ou a falta delas.

Hoje te vi na rua e você era triste.
Mas esse texto eu escrevo feliz. Porque sou esse mesmo oposto agora.
Porque estou em paz comigo mesma - e também com você. Que agora virou uma pessoa igual a todas as outras.




Um comentário:

Anônimo disse...

E percebi, naquele momento, que eu já não sentia meu coração palpitando, eu já não sentia náuseas, eu já não sentia euforia. Eu já não sentia nada.
Eu te olhei e para minha surpresa, você não tinha nada de especial. Não brilhava e já não era mais atraente. Você era parte da paisagem. Era igual a todos os outros que atravessariam a avenida.