THERE'S NOTHING YOU CAN MAKE THAT CAN'T BE MADE.

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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Insegurança

Insegurança essa que costuma vir a todo instante que me permito refletir sozinha. A mesma incerteza que me segue, agora como uma sombra, esperando que eu renegue meus mais impuros desejos de ser feliz. Incerteza que se consome em mim, como parte que sou do que sobrou como o resto do mundo...absolutamente nada.
Ainda me perco em lembranças lamentavelmente nostalgicas, ainda desconfio das frases que já ouvi em outras circunstâncias, vindas de outras pessoas. Um dano irrevogável, que só pode deixar de se manifestar se minha força de vontade for relativamente maior. Embora, muitas vezes, pareça de extrema dificuldade chegar ao nível de sanidade ao qual me encontro nesse momento.
Sinto os gritos, as lágrimas e os mais improváveis medos, vindos do espelho que insiste em refletir essa imagem turva, que quase não suporto ver.
Me julgo fraca, medíocre, uma bela mentira que se repete em cada letra que faço questão de cuspir para me livrar dos pesos de consciência, tão dignos de mim.
Fantasio situações, onde o ego de alguém que realmente me importa possa me trair, momentos onde cada 'nós' possa morrer, assim como já esteve morto tantas outras vezes e eu humildemente o ressucitei para não sofrer as consequências.
Então me calo no mar de insegurança que me move, esperando que sua voz me salve, como já ocorreu em diversas ocasiões.

- Tente me compensar como você mencionou que faria. Eu preciso me garantir de que a sua ausência não é proposital.
Eu sei que a sua solidão me dói.

12:51.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Delírio

O medo me tomava por completa ao notar que não havia o que me impedisse de realizar o súbito desejo que me cercou por tanto tempo.
Havia uma maneira exata de lhe trazer para o mundo dos meus sonhos e fazê-lo delirar diante do impulso mais descontrolado. E me encontrava embebida em pensamentos inacabáveis, que me surtiam o efeito confuso de culpa.
Mas meu corpo latejava em puro prazer, que interpretei como a necessidade suprida de um amor capaz de me fazer definhar.
O tomava com apreensão sob minha fragilidade. A água salgada do pecado nos afogava enquanto eu me tornava ainda mais insana, lhe cobrindo no meu amor, que já não se fazia tão sublime e nobre.
Lhe riscava a pele na intenção de suportar o pouco de virtude que me restava, no momento que congelou a minha memória em questão de segundos.
Lhe confiava os mais incansáveis toques, seguidos de palavras que repercutiram por todos os lados, das paredes que fascinadas assistiam.
O mundo parou e nos trouxe de volta; só existiriamos um para o outro.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A primeira glória

As luzes me seguiam, era eu a dona do palco e de cada frase que surtisse o mínimo de efeito. Segundos inacabáveis, segundos inalcansáveis.
O peito pulsava, as mãos tremiam, e o medo se afogava num mar de sorrisos à mim estendidos; que tomei como o gosto do mais puro dom.

Rostos familiares, seguiram-se de seus olhos à minha voz exacerbada. Ouvia risos, aplausos, numa necessidade sem igual de chorar por prazer e felicidade.
Uma flor eu fui capaz de entregar, como símbolo do meu amor, que é tão eterno quanto o seu. E numa breve ingênuidade de criança, me tornei aquilo que tanto rezei para ser.
O palco se esvaziava aos poucos, e as máscaras se perdiam no caminho da glória. Restou o pouco de uma figura, que de desespero e saudade saltou os míseros degraus e correu em direção a ele; ao sonho que agora era mais que uma realidade.

Abraçando-o com força eu pude enxergar o estrago que alimentava o meu peito, já cheio de suor e desejo. Tomando seu rosto em minhas mãos eu fui capaz de notar o quanto anciava por um beijo, pequeno que fosse.
Me estendi, eu era dele, e ele meu.